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IGCP emite dívida de curto prazo com taxas ainda mais negativas

Portugal colocou 1.250 milhões de euros, tendo conseguido baixar os custos de financiamento ao pagar juros negativos recorde.

Nuno Carregueiro nc@negocios.pt 19 de Abril de 2017 às 10:46
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A Agência da Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública realizou esta quarta-feira, 19 de Abril, um duplo leilão de dívida de curto prazo, conseguindo colocar os títulos com taxas de juro ainda mais baixas.


O IGCP colocou 300 milhões de euros em bilhetes do Tesouro com maturidade em Julho (três meses), com uma "yield" de -0,266%, que compara com a taxa de -0,219% do leilão de Fevereiro.


Emitiu ainda 950 milhões de euros em bilhetes do Tesouro com maturidade em Março de 2018 (11 meses), com uma "yield" de -0,135%, que compara com a taxa de -0,096% do leilão de Fevereiro. Em Março o IGCP tinha colocado títulos a 12 meses com uma taxa de -0,112%.

O instituto liderado por Cristina Casalinho consegue assim taxas cada vez mais reduzidas nos leilões de dívida de curto prazo, o que tem sido uma tendência este ano. Aconteceu nos leilões de Março, Fevereiro e Janeiro.

 

Ainda assim, comparando com o leilão de Fevereiro, a procura desceu. Nos bilhetes do Tesouro a três meses a procura de 750 milhões de euros superou a oferta em 2,5 vezes, contra 4,08 vezes em Fevereiro. Nos bilhetes a 11 meses, a procura superou a oferta em 1,41 vezes, contra 1,92 vezes em Fevereiro.
 

O montante colocado ficou no limite máximo do intervalo pré-definido pelo IGCP na sexta-feira

 

"A descida do prémio de risco em toda a Zona Euro justifica estas taxas negativas nos dois prazos, ainda mais negativas que as emissões anteriores. É um movimento que vimos sentido nas últimas semanas, e especialmente na última semana, o da queda das taxas", refere Filipe Silva, director da gestão de activos do Banco Carregosa.

 

O mesmo responsável nota que "na dívida portuguesa a 10 anos que há um mês estava nos 4,2% hoje está nos 3,76%, numa descida considerável para um curto espaço de tempo. A própria dívida alemã viu as taxas descerem na última semana. Terá sido esta a principal razão para o sucesso desta emissão, em que as taxas saíram a níveis de mínimos históricos."

 

A "yield" das obrigações a 10 anos, no mercado secundário, atingiu esta quarta-feira mínimos de quase 3 meses.

José Lagarto, gestor de activos da Orey iTrade, salienta que "apesar de algum sentimento de risco nos mercados financeiros, que levou o uma subida na volatilidade do spread da divida soberana entre os países do sul para a alemã, Portugal acabou por se financiar a níveis mais favoráveis, o que não deixa de ser um sinal positivo para o sentimento em torno do país, a dias da reavaliação do rating de Portugal por parte da DBRS".

(Notícia actualizada às 11:37 com gráfico)

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