Obrigações Juros de Portugal atingem mínimo histórico após medidas do BCE

Juros de Portugal atingem mínimo histórico após medidas do BCE

As bolsas estão a reagir em alta à reunião do BCE. O euro perde terreno e os investidores apostam na dívida soberana, o que está a levar a taxa das obrigações portuguesas para novos mínimos históricos.
Nuno Carregueiro 07 de março de 2019 às 13:52

As reações dos mercados aos resultados da reunião do Banco Central Europeu não estão a ser muito expressivas, mas no caso das obrigações soberanas portuguesas a variação é suficiente para colocar a taxa de juro dos títulos a 10 anos num novo mínimo histórico.

 

No mercado cambial o euro está a ser penalizado e nas bolsas o setor financeiro está a beneficiar com as novidades de política monetária que foram reveladas pela instituição liderada por Mário Draghi.

 

O BCE alterou o seu discurso, o que já era aguardado por vários economistas. Promete agora manter os juros em mínimos históricos até ao final de 2019 (antes apontava para o verão do próximo ano) e anunciou ainda um novo programa de financiamento para a banca.

 

É no mercado de dívida soberana que o impacto desta semi-surpresa do BCE está para já a ser mais visível. Os juros das obrigações estão a descer na generalidade dos países europeus, com o adiamento da subida de juros e a continuação da política monetária ultra-expansionista a atrair os investidores para a dívida soberana.

 

A "yield" das obrigações do Tesouro a 10 anos está a recuar 2,9 pontos base para 1,394%, invertendo a tendência de agravamento da manhã. Esta taxa é a mais baixa de sempre, ficando pela primeira vez abaixo de 1,4%. Nas últimas sessões os juros das obrigações portuguesas já vinham a atingir mínimos históricos devido precisamente à expectativa sobre esta reunião do BCE.

 
Juros das obrigações do Tesouro a 10 anos pela primeira vez abaixo de 1,4%:

Na dívida alemã a "yield" dos títulos a 10 anos recua 2,2 pontos base para 0,106%, sendo que nos prazos inferiores a 9 anos os investidores estão a aceitar rendibilidades negativas para trocar dívida entre si. As obrigações italianas são as que mais sobem, uma vez que a economia do país tende a ser mais beneficiada com estas decisões do BCE pois está em recessão e continua com problemas na banca. A taxa dos títulos a 10 anos recua 4,1 pontos base para 2,54%, o nível mais baixo em sete meses.

 

Após o comunicado do BCE, o mercado ajustou as suas expectativas e aponta agora para a primeira subida de juros por parte do banco central só em setembro de 2020. A moeda europeia está assim a ser penalizada por este cenário, seguindo a cair 0,4% para 1,1262 dólares. Os sinais de travagem da economia europeia no arranque do ano têm pressionado a moeda europeia nas últimas sessões, acumulando uma queda de quase 2% em 2019.

 

Por fim, no mercado acionista o impacto está a positivo, ainda que não muito expressivo. As bolsas europeias recuperam das perdas da manhã e seguem em alta ligeira, com o Stoxx600 a subir 0,16%. O setor financeiro é o grande beneficiado com o novo pacote de financiamento à banca, sendo que o índice europeu para o setor saiu do vermelho e segue com ganhos tímidos (o Stoxx Banks soma 0,14%).




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