Obrigações Juros portugueses atingem máximos de quase um ano acima de 4%

Juros portugueses atingem máximos de quase um ano acima de 4%

Os receios de que o BCE retire os estímulos à economia estão a impulsionar os juros da dívida dos países do euro, com destaque para Portugal, onde a 'yield' associada às obrigações a dez anos está em máximos de Fevereiro de 2016.
Juros portugueses atingem máximos de quase um ano acima de 4%
Rita Faria 05 de janeiro de 2017 às 12:45

A escalada nos juros da dívida portuguesa continua. A ‘yield’ associada às obrigações portuguesas a dez anos está a subir 11,9 pontos base esta quinta-feira, 5 de Janeiro, para 4,014%, o valor mais alto desde 12 de Fevereiro de 2016. Nesse dia, a ‘yield’ tocou nos 4,444%.

A tendência de agravamento estende-se à generalidade dos países do euro, numa altura em que as perspectivas de uma subida mais acelerada da inflação na região da moeda única estão a alimentar os receios de que o Banco Central Europeu (BCE) pondere uma retirada antecipada dos estímulos à economia.

Em Espanha, os juros da dívida a dez anos sobem 9,3 pontos base para 1,526%, enquanto em Itália o agravamento é de 10,6 pontos para 1,976%.

Na Alemanha, por seu lado, a ‘yield’ avança 2,6 pontos para 0,301%. Dado que a subida dos juros portugueses é muito superior à das ‘yields’ na Alemanha, também o prémio de risco associado à dívida portuguesa está a subir esta quinta-feira. O avanço é de 9,8 pontos para 368,1 pontos, o valor mais elevado desde Fevereiro do ano passado.

Na quarta-feira, o Eurostat revelou que a inflação na Zona Euro subiu de 0,6%, em Novembro, para 1,1% em Dezembro, puxada pelos combustíveis, tendo ultrapassado os 1% pela primeira vez desde Setembro 2013.

O aumento foi conhecido um dia depois de se saber que a inflação na Alemanha subiu para 1,7%, um nível já próximo da meta de 2% do BCE.

Esta evolução dos preços está a levar vários economistas alemães a pressionar a autoridade monetária a aumentar o preço do dinheiro, avança a Reuters esta quinta-feira.

"É tempo de normalizar [a política monetária]," defende o economista-chefe do DZ Bank, Stefan Bielmeier, ao jornal Bild, acrescentando que agora é "realizável" uma alteração nas taxas de juro. 





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