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Juros da dívida portuguesa com maior queda semanal desde Junho

Na semana que agora termina, os juros da dívida portuguesa registaram a maior queda semanal desde Junho. É apenas a segunda semana, desde as eleições, em que os juros caem. O BCE e a DBRS contribuíram para assegurar maior confiança aos investidores.

Bruno Simão/Negócios
David Santiago dsantiago@negocios.pt 20 de Novembro de 2015 às 18:52
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Apesar de nesta altura os juros associados às obrigações da dívida portuguesa, com maturidade a 10 anos, seguirem a subir 3,7 pontos base para 2,49%, no conjunto da semana que termina esta sexta-feira, 20 de Novembro, as "yields" nos mercados de dívida secundários acumulam uma queda de 27,1 pontos base.

 

Trata-se da maior queda semanal dos juros da dívida desde a semana finda a 26 de Junho deste ano, cinco dias em que os juros associados à dívida lusa a 10 anos caíram mais de 32 pontos base, recuperando então de uma tendência de subida dos juros dos países periféricos espoletada pelo receio dos investidores face às consequências da, na altura, muito falada hipotética saída grega da Zona Euro (Grexit).

 

O comportamento dos juros da dívida na semana que hoje termina surge em contraciclo com a tendência predominante desde as legislativas de 4 de Outubro. Desde então, apenas na semana entre 19 e 23 de Outubro foi registada uma queda acumulada dos juros a 10 anos (-6,6 pontos base). Nas restantes cinco semanas o saldo da variação dos juros da dívida lusa foi sempre de subida.

 

O ciclo foi iniciado logo depois das legislativas. Depois de a 2 de Outubro a variação da taxa de juro associada às obrigações com maturidade a 10 anos ter recuado mais de 25 pontos, as cinco sessões pós-eleições saldaram-se por uma subida dos juros superior a 10 pontos.

 

A vitória sem maioria absoluta da coligação entre o PSD e o CDS abriu caminho à possibilidade de o PS encetar negociações com os partidos da esquerda parlamentar com vista a uma solução governativa protagonizada pelos socialistas.


Desde então, a queda do Executivo, apenas 11 dias depois de ter tomado posse, adensou a tendência de crescimento dos juros associados à dívida pública nacional, com a "yield" a 10 anos a atingir, a 9 de Novembro, um máximo de Julho ao tocar nos 2,91%.


BCE e DBRS com papel importante no comportamento dos juros portugueses

 

O atenuar da subida - já sentido na semana passada (+7,5 pontos) - e a descida confirmada na semana que agora termina resultam, entre outros factores, da intervenção do Banco Central Europeu que prossegue a política de compra de activos nos mercados secundários.

 

A reforçar a confiança dos investidores na dívida dos países integrantes do bloco do euro esteve também a declaração feita a 22 de Outubro por Mario Draghi. O presidente do BCE sinalizou a disponibilidade da autoridade monetária europeia para reforçar a política de "quantitative easing" já no início do próximo ano, revelando mesmo ter dado indicações para que os seus colaboradores começassem a trabalhar nesse sentido.

 

Por outro lado, também a agência de "rating" canadiana DBRS, no final da semana passada, decidiu manter a classificação da dívida soberana de longo prazo de Portugal em "BBB" (baixo) [qualidade de crédito adequada, o último nível da categoria de investimento], mantendo também a perspectiva "estável".

 

Uma descida de "rating", tendo em conta que as outras três grandes agência de notação mantêm a classificação de Portugal numa categoria considerada "lixo", impediria o BCE de comprar dívida portuguesa. Contudo, já nessa altura os analistas consideravam que a DBRS não iria cortar o "rating" soberano da República portuguesa ao sublinharem que as agência preferem observar as perspectivas de longo prazo em detrimento de pontuais períodos de maior, ou menor, incerteza.

Já esta quinta-feira, o HSBC mostrou optimismo face às obrigações portuguesas desvalorizando mesmo quaisquer impactos negativos decorrentes de uma eventual indigitação de António Costa, líder do PS, como primeiro-ministro. O HSBC demonstrou também preferência por um Executivo do PS apoiado pela esquerda do que uma solução que passe por um Executivo de gestão.

 

Olhando um pouco para trás, e tomando em linha de conta os juros a 10 anos que se registavam no final da última sessão anterior às eleições de 4 de Outubro, verifica-se que ao longo destas sete semanas marcadas pela agitação e indefinição da política portuguesa houve uma subida de 18,6 pontos base (+ 0,186 pontos percentuais). 

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