Obrigações Juros de Portugal em máximos de Julho lideram agravamentos no pós-BCE

Juros de Portugal em máximos de Julho lideram agravamentos no pós-BCE

Sem novidades de Draghi, o valor a que os investidores trocam obrigações portuguesas a 10 anos no mercado secundário já tocou máximos de mês e meio e o prémio de risco está em máximos de quase dois meses.
Juros de Portugal em máximos de Julho lideram agravamentos no pós-BCE
Bloomberg
Paulo Zacarias Gomes 09 de setembro de 2016 às 10:51

As "yields" associadas à negociação das obrigações soberanas portuguesas agravam em todas as maturidades na manhã desta sexta-feira, 9 de Setembro, em linha com o resto das pares da zona euro.

Os juros de Portugal no prazo a dez anos agravam 3,2 pontos base para 3,102%, penalizadas pelo facto de o Banco Central Europeu não ter ontem – como esperava o mercado – anunciado a extensão do actual programa de compra de activos, além de ter deixado inalteradas as taxas de juro.

Ao longo da manhã, o valor já tocou o máximo intradiário de 26 de Julho passado – 3,158% -, ou seja o nível mais elevado em cerca de mês e meio.

As maturidades mais longas são, de resto, as que mais agravam, tal como acontece em Espanha, Itália e Irlanda. O risco da dívida portuguesa – medido pela diferença para as yields a que negoceiam as obrigações alemãs – está em máximos de 18 de Julho, nos 313,86 pontos base.

O programa de compra de activos do Banco Central Europeu, no valor médio mensal de até 80 mil milhões de euros, inclui as obrigações portuguesas no seu cabaz de aquisições. A elegibilidade da dívida portuguesa para o programa de compras do banco central está contudo dependente da classificação atribuída pela agência de rating DBRS, a única das quatro que acompanha as obrigações nacionais a considerá-la acima de "junk" (ou lixo).

Em meados de Agosto, a agência mostrou-se preocupada com o fraco crescimento e a elevada dívida do país, que no seu entender pressionam o rating de Portugal. Um dia depois, contudo, viria a dizer estar "confortável" com a nota atribuída ao país.

As palavras da DBRS encontram eco em alguns dos últimos dados económicos divulgados: a procura interna cresceu no segundo trimestre ao ritmo mais lento em três anos, o investimento caiu 3,1% no mesmo período, o PIB avançou apenas metade - 0,9% - dos 1,8% esperados pelo Governo e a dívida pública voltou a agravar (800 milhões de euros) em Julho (tendo ficado no segundo trimestre nos 131,9% do PIB, acima dos 124,8% esperados pelo Executivo).


A ida do BCE aos mercados tem contribuído para aliviar o valor a que negoceiam em mercado secundário e o financiamento do Estado nos leilões e emissões recentes. A 31 de Agosto, data da mais recente emissão, o Tesouro foi ao mercado levantar mil milhões a cinco e a dez anos e nesta última, que é a taxa de referência, o juro pedido pelo mercado baixou.

(Notícia actualizada às 11:01 com mais informação)




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