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Juros gregos dispararam. A dois anos juros estão acima dos 50% a 10 anos atingem máximos de 2012

Os juros da dívida pública grega no mercado secundário estão a disparar em todos os prazos após o “não “ ter vencido o referendo realizado este domingo às propostas dos credores. No prazo a dois anos, os juros estão a subir mais de 1.500 pontos base para estar acima dos 51%.

Reuters
Ana Laranjeiro alaranjeiro@negocios.pt 06 de Julho de 2015 às 09:08
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Os juros da dívida pública da Grécia estão a disparar no mercado secundário após os resultados do referendo, realizado este domingo, 5 de Julho. A maturidade a dois anos é a que regista uma subida mais acentuada dos juros. Neste prazo, os juros exigidos pelos investidores para trocarem dívida grega entre si disparam 1555,7 pontos base para 51,449%.

A quatro anos, as "yields" avançam 804,1 pontos base para 32,188% e a 10 anos avançam 262,4 pontos base para os 17,254% - o valor mais elevado desde Novembro de 2012. Este comportamento tem assim lugar depois de ontem o "não" ter vencido o referendo com 61,31% dos votos e o "sim" ter obtido 38,69%.

Os analistas, reagindo aos resultados do referendo, destacam o papel que o Banco Central Europeu terá no futuro da Grécia. O Barclays defende que "o tempo a Grécia consegue ficar na Zona Euro, sem um programa de assistência financeira, depende da vontade do BCE em continuar a fornecer liquidez ao sector bancário. Se não houver acordo sobre um programa, o BCE irá encerrar a ELA [Assistência de Liquidez de Emergência], o mais tardar a 20 de Julho. Os bancos, então, não terão apenas pouca liquidez, mas tornar-se-ão insolventes. Como resultado, a falta de financiamento iria espoletar um colapso da economia grega".

Holger Schmieding, do Berenberg, considera que "a Grécia irá exigir novas negociações e um melhor acordo". "Os credores irão negociar, mas não podem oferecer um acordo menos exigente. Com a economia grega em queda, têm de exigir, assim, um acordo mais duro".

Jack Di Lizia, do Deutsche Bank disse ao Negócios "que a reacção [dos mercados] na periferia será similar à registada após a decisão de agendar o referendo, mas irá continuar por mais tempo".

"Após esta vitória do ‘não’, prevejo que os mercados irão recuar moderadamente, com uma modesta subida dos juros das obrigações portuguesas e uma pequena queda das acções. As reacções iniciais poderão ser mais brutais. Contudo, quando ficar claro que o BCE irá renovar a ajuda e não tirar o tapete aos bancos gregos, os mercados irão acalmar", disse Ciaran O’Hagan, Société Générale, ao Negócios.

No mercado de dívida, nos restantes países periféricos verifica-se uma subida dos juros. No entanto, de uma forma muito mais ligeira. No caso da dívida nacional, os juros a dois anos somam 4 pontos base para 0,701%, a cinco anos crescem 9,8 pontos base para 1,757%. E a dez anos, as "yields" crescem 10,7 pontos base para os 3,049%.

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