Obrigações Juros sobem para máximos de Junho. Dívida portuguesa é a pior da Europa em 2016

Juros sobem para máximos de Junho. Dívida portuguesa é a pior da Europa em 2016

Os títulos da dívida pública portuguesa apresentam a pior prestação na Europa este ano. Esta segunda-feira a tendência de agravamento das "yields" é transversal a todos os países.
Juros sobem para máximos de Junho. Dívida portuguesa é a pior da Europa em 2016
Miguel Baltazar
Nuno Carregueiro 12 de setembro de 2016 às 11:10

Os juros da dívida pública portuguesa estão esta segunda-feira a acentuar a tendência de subida, em linha com o comportamento dos títulos de outros países europeus, numa sessão marcada pelo regresso da turbulência aos mercados financeiros.

 

A "yield" das obrigações do Tesouro a 10 anos, de acordo com as taxas genéricas da Bloomberg, está a subir 6 pontos base para 3,22%. Já tocou nos 3,25%, o valor mais elevado desde 28 de Junho, dias depois do referendo no Reino Unido que ditou a saída do país da União Europeia.

 

A tendência de agravamento dos juros da dívida soberana é transversal a todos os mercados, numa sessão em que se acentuam os receios dos investidores sobre a possibilidade dos bancos centrais estarem menos disponíveis para continuar a apoiar o crescimento económico com uma política monetária mais expansionista.


Na quinta-feira, o Banco Central Europeu deixou inalterada a sua política de estímulos e um dia depois o presidente da Reserva Federal de Boston alimentou a expectativa de aumento de juros nos EUA já em Setembro, o que empurrou Wall Street para fortes quedas nessa sessão.

 

Esta segunda-feira as bolsas mundiais estão a registar fortes recuos devido a este receio (o Stoxx 600 cai perto de 2% para mínimos de 5 de Agosto) e à subida dos juros da dívida nos países europeus.

 

A "yield" das obrigações espanholas a 10 anos sobe 2 pontos base e já atingiu um máximo de sete semanas em 1,13%. Os juros de Itália, nos títulos com a mesma maturidade, avançam 4 pontos base para 1,29%.

 

Com mau desempenho está também a dívida alemã, que habitualmente serve de refúgio em altura de turbulência nos mercados. O juro das bunds a 10 anos avança 3 pontos base para 0,04%.

 

Ainda assim, como o juro de Portugal está a registar uma subida mais pronunciada, o risco da dívida portuguesa está também a agravar-se. O diferencial para o juro das bunds a 10 anos atingiu 318 pontos base, um máximo desde meados de Julho.

 

Dívida portuguesa agrava estatuto de pior da Europa

 

Este desempenho negativo dos títulos portugueses vem agravar o estatuto de pior prestação na Europa em 2016.

 

A Bloomberg escreve esta segunda-feira um artigo com essa análise, dando conta que até ao fecho da sessão de sexta-feira a dívida portuguesa estava a gerar uma perda de 0,8% aos investidores, a única na Europa com desempenho negativo.

 

A agência de notícias "culpa" Mario Draghi pelo desempenho negativo da dívida portuguesa em 2016, mas cita também os receios sobre a sustentabilidade da dívida, incerteza política sobre os cortes orçamentais e necessidade de injectar dinheiro no sistema financeiro.

"Portugal precisa de crescimento e reduzir a dívida. Tem de ser capaz de baixar a percepção de risco que alguns investidores têm do país", disse à Bloomberg Filipe Silva, do Banco Carregosa.   

 

Para que a dívida portuguesa apresente uma melhor prestação, os investidores têm de ganhar confiança no governo para "implementar reformas em vez de estar a reverter as que foram executadas", disse à agência de notícias David Schnautz, adiantando que o actual governo "não tem sido amigo do mercado obrigacionista e os investidores temem que o programa de compra de activos do BCE chegue ao fim".




pub

Marketing Automation certified by E-GOI