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Maiores economias da Europa endividam-se como nunca para responder à crise

Alemanha e França preparam-se para emissões de dívida recorde no próximo ano, para atenuar as consequências da atual crise pandémica.

2.º Alemanha 3.369,7 toneladas de ouro
Michele Tantussi
Gonçalo Almeida goncaloalmeida@negocios.pt 28 de Setembro de 2020 às 14:17
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A Alemanha está a planear a emissão de cerca de 419 milhões de euros em dívida soberana no próximo ano, o que representa um montante recorde para emissões no país. Mas não é a única nação europeia a fazê-lo: também França tem em mente  colocar 260 mil milhões de euros - será igualmente um valor histórico.

Assim, as duas maiores economias do continente europeu "dão as mãos" ao endividamento massivo para responder de forma imediata ao impacto provocado pelo coronavírus, num ano que se espera ser de recuperação dos principais indicadores.

Apesar dos montantes avultados, não existe grande dúvida entre os analistas de que ambos os países consigam cobrir o montante emitido. Piet Christiansen, analista do Danske Bank A/S, diz à Bloomberg que "não considera que os mercados terão problemas em absorver [a colocação]", uma vez que, no caso da Alemanha, "é o 'nome' mais seguro no espaço de dívida europeu".

A agência que gere o Tesouro germânico equaciona colocar 190 mil milhões de euros em dívida com maturidade a quatro anos e os restantes 229 mil milhões de euros serão vendidos com maturidades ainda mais reduzidas, de acordo com o Bundestag.

Para o último trimestre deste ano, a Alemanha alargou o montante destinado a estas operações para os 50,5 mil milhões de euros, um aumento de 6 mil milhões face ao planeado inicialmente. 

Neste pacote está incluída a segunda emissão de "títulos verdes" da sua história, geração de dívida destinada a investir em projetos sustentáveis e amigos do ambiente. Isto depois de, no início deste mês, o país ter levantado 6,5 mil milhões de euros de dívida "green" com maturidade a dez anos.

Esta lógica sustentável surge na sequência do plano de uma Europa mais "verde" traçado pela presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, no discurso sobre o Estado da União. A comissária anunciou que a União Europeia vai avançar com uma emissão de "dívida verde" de 225 mil milhões de euros, uma quantia que representa cerca de 30% do Plano de Recuperação de 750 mil milhões de euros. 

A agência que gere o Tesouro em França anunciou hoje que iria dedicar 260 mil milhões de euros a emissões de dívida para responder à pandemia. Este será o maior montante de sempre para a segunda maior economia da Europa se endividar.
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