Obrigações Mercado de obrigações reforça alertas de recessão global

Mercado de obrigações reforça alertas de recessão global

A curva de "yields" nos EUA e no Reino Unido inverteu pela primeira vez desde a crise financeira quando comparados os prazos a 2 e 10 anos.
Nuno Carregueiro 14 de agosto de 2019 às 13:32

Os receios de recessão a nível global não são de hoje, mas agravaram-se esta quarta-feira. Foram divulgados indicadores negativos em economias relevantes (China e Alemanha) e os juros das obrigações soberanas voltam a descer de forma considerável. 

 

A diferença entre a yield dos títulos de dívida dos EUA a 2 e a 10 anos passou para terreno negativo pela primeira vez desde a crise financeira de 2007. O mesmo aconteceu na dívida do Reino Unido.

 

A curva das "yields" invertida é um dos indicadores a que os investidores dão maior importância nos sinais sobre recessão, embora nos EUA e no Reino Unido tal não tenha ainda acontecido ainda de forma duradoura.

 

A taxa de juro das obrigações a 2 anos dos EUA está a descer 6,3 pontos base para 1,603%, enquanto no prazo a dois anos recua 10,1 pontos base para 1,603%. No Reino Unido a "yield" dos títulos a 2 anos sobe 0,8 pontos base para 0,457%, enquanto no prazo a 10 anos desce 3,4 pontos base para 0,457%.

 

Nos dois países a taxa a 2 anos já esteve acima da rendibilidade que os investidores exigem para comprar obrigações a 10 anos. O que isto quer dizer é que os investidores preferem emprestar a um prazo mais longo por temerem o que acontecerá no curto prazo. 


 

A curva de rendimentos invertida (entre os títulos a 2 e 10 anos) nos Estados Unidos antecipou todas as recessões dos últimos 40 anos.

 

Neil Wilson, chief markets analyst da Markets.com, diz que há um "delay" de cerca de um ano ou dois face aos sinais dos mercados e a evolução da economia, pelo que "a recessão poderá acontecer no próximo ano". A inversão da curva nos prazos a 2 e 10 anos "é um grande sinal vermelho para a economia norte-americana, acrescentou.

 

Desde março que a "yield" dos títulos a 3 meses nos EUA já é superior à taxa das obrigações a 10 anos. Desde então intensificaram-se os receios de recessão a nível global, levando os investidores a refugiarem-se nas obrigações soberanas de prazos mais longos.

 

A "yield" das obrigações alemãs a 10 anos renovou mínimos históricos, com uma queda de 3,2 pontos base para -0,645%. No prazo a 30 anos caem 4,7 pontos base para -0,181%.

 

Os investidores procuram também refúgio na dívida de longo prazo que ainda está em terreno positivo, beneficiando as obrigações soberanas de países como Portugal e Espanha. A yield das obrigações do Tesouro a 10 anos está a recuar 4,3 pontos base para 0,181%, muito perto do mínimo histórico fixado a 7 de agosto nos 0,15%. Em Espanha a taxa dos títulos a 10 anos baixa 4,7 pontos base para 0,155%.

 

Alemanha e China com sinais negativos

Esta descida dos juros intensificou-se hoje precisamente porque foram divulgados dados económicos desfavoráveis na Alemanha e na China.

 

O produto interno bruto (PIB) da Alemanha contraiu no segundo trimestre do ano, registando uma queda em cadeia de 0,1%, segundo os dados preliminares divulgados esta quarta-feira, 14 de agosto. 

 

Na China foi revelado que a produção industrial cresceu em julho ao ritmo mais baixo desde fevereiro de 2002, sugerindo que a segundo maior economia do mundo está a ser fortemente penalizada pela guerra comercial com os Estados Unidos.

 
O Eurostat confirmou hoje que a economia europeia desacelerou no segundo trimestre. O PIB da Zona Euro cresceu 0,2% em cadeia (do primeiro trimestre para o segundo trimestre) e 1,1% em termos homólogos (em comparação com o segundo trimestre de 2018). No primeiro trimestre de 2019, o PIB tinha crescido 0,4%, em cadeia, e 1,2%, em termos homólogos.

Em média, os economistas consultados pela Reuters consideram que há 45% de probabilidade dos EUA entrarem em recessão em dois anos. Esta é a maior probabilidade atribuída pelos economistas desde maio de 2018, mês em que a pergunta começou a ser feita. E 70% dos economistas considera que os últimos acontecimentos tornaram a recessão mais provável.




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