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Ministério Público acusa académico que ganhou 820 mil euros com dívida portuguesa

Canadiano, académico influente e doutorado em Harvard. Este é o perfil do arguido que o Ministério Público pretende levar a julgamento, devido a manipulação de mercado, em relação à dívida portuguesa. Vários artigos publicados terão influenciado negativamente o mercado, originado ao arguido uma mais-valia de quase um milhão de euros.

Bruno Simão/Negócios
André Tanque Jesus andrejesus@negocios.pt 29 de Outubro de 2015 às 18:19
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O Ministério Público avançou com um requerimento para a abertura de um processo contra um cidadão canadiano. Em causa estará um crime de manipulação de mercado, depois de o "académico prestigiado" ter publicado vários artigos que "tiveram impacto nas ‘yields’ da dívida pública portuguesa". Um efeito com o qual terá conseguido ganhar quase 820 mil euros.

"O Ministério Público requereu o julgamento de um arguido de nacionalidade canadiana e residente em Londres, pela prática do crime de manipulação de mercado, tendo por objecto a desvalorização das obrigações do tesouro português", informou a Procuradoria-Geral da Distrital de Lisboa, em comunicado publicado no próprio site. "Trata-se de acusação por crime com contornos inéditos", diz o organismo, acrescentando que "este arguido tinha interesse na desvalorização da dívida portuguesa e na subida das ‘yields’, uma vez que só a respectiva desvalorização permitia recuperar a dívida (encerrar a posição curta) com mais-valias e potenciar os seus ganhos".

Em causa está um ganho de "cerca de 819.099,82 euros, através da desvalorização dos títulos de tesouro respectivos". Para isso, o académico em causa "publicou vários artigos em blogs, sendo um deles associado a um jornal de referência mundial, no período compreendido entre Fevereiro e Abril de 2010". O Ministério Público conclui que "os artigos de opinião tiveram impacto nas yields da dívida pública portuguesa, influenciaram os investidores, até porque o arguido era um académico prestigiado, doutorado em Economia pela Universidade de Harvard".

A investigação levada a cabo pelo DIAP, com o apoio técnico da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), aponta que "este arguido era, à data (Abril de 2010), administrador de uma sociedade que prestava serviços de consultoria de investimento e de gestão de carteiras sobre investimentos financeiros a uma outra sociedade gestora de fundos de investimento especulativo (‘hedge fund’)". Terá sido desta forma que alcançou os referidos ganhos, sendo que "nunca mencionou nos artigos editados os seus interesses negociais, o que teria reduzido a credibilidade da opinião divulgada".

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