Obrigações Moody’s contraria todas as expectativas e não mexe no rating de Portugal

Moody’s contraria todas as expectativas e não mexe no rating de Portugal

A agência de notação financeira Moody’s decidiu não mexer no rating da dívida de longo prazo de Portugal que se mantém assim no primeiro nível acima de "lixo", em Baa3. A próxima potencial mexida está prevista para daqui a seis meses.
Moody’s contraria todas as expectativas e não mexe no rating de Portugal
Mario Proenca
Carla Pedro 17 de janeiro de 2020 às 21:41

A Moody's deixou a notação da dívida de longo prazo de Portugal no último grau da categoria de investimento de qualidade (ou seja, um nível acima de "lixo"), em Baa3. Ao contrário da esperada subida, em um nível, a agência decidiu deixar tudo na mesma.

 

Estava agendada para esta sexta-feira uma possível avaliação da República por parte da Moody’s, mas a agência optou então por não o fazer e não emitiu qualquer parecer, limitando-se a indicar que hoje não houve qualquer atualização nos "ratings" soberanos.

 

Os relatórios sobre os ratings e perspectivas para as dívidas soberanas podem não ser publicados, uma vez que o calendário de eventuais revisões das notações soberanas é apenas indicativo, mas o consenso era de que haveria uma decisão - e no sentido de um "upgrade".

Segundo o calendário entregue pela Moody’s para as suas duas avaliações ao longo deste ano, a próxima (e última) data prevista para se debruçar sobre Portugal é a 17 de julho. A menos que algo leve a agência a apresentar um relatório intercalar, serão então precisos mais seis meses até nova decisão.

 

A expectativa dos analistas contactados pelo Negócios – e também do Citigroup, auscultado pela Bloomberg – era a de que a agência passasse a atribuir à dívida soberana portuguesa a mesma classificação que a Fitch e a Standard & Poor’s (dois níveis acima de "junk").

Em agosto passado, a última vez que a Moody’s se pronunciou sobre Portugal, elevou o "outlook" (perspetiva para a evolução da qualidade do crédito) de ‘estável’ para ‘positivo’, optando por esperar pelas eleições de outubro para ver que rumo político é que o país seguiria e assegurar-se de que o novo governo manteria a trajetória de descida da dívida pública. Confirmados esses cenários, e numa altura em que as condições de financiamento se revelam ainda melhores e o OE2020 foi aprovado na generalidade, tudo apontava agora para o "upgrade". Que não veio.

"Rating" atribuído a Portugal pelas agências de notação financeira

 

A Moody’s, recorde-se, foi a primeira agência das três grandes agências a colocar Portugal no "lixo" (investimento especulativo) e foi a última a retirá-lo desse patamar. Aconteceu em outubro de 2018. A Fitch e a S&P dão uma melhor classificação à República, e ainda não foi desta que a Moody’s decidiu alinhar-se com as suas duas maiores congéneres.

Em outubro passado, a canadiana DBRS colocou Portugal três níveis acima de "lixo", sendo pois, atualmente, a que dá melhor nota à qualidade da dívida do país.

(notícia atualizada pela última vez às 22:08)




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