Obrigações Moody’s: Ou o crescimento melhora ou Portugal tem de tomar medidas adicionais

Moody’s: Ou o crescimento melhora ou Portugal tem de tomar medidas adicionais

Os analistas da agência consideram que se o abrandamento económico do início do ano continuar, o governo terá de tomar medidas adicionais. Caso não o faça, ameaça baixar o “rating”.
Moody’s: Ou o crescimento melhora ou Portugal tem de tomar medidas adicionais
Bruno Simão/Negócios
Rui Barroso 16 de junho de 2016 às 18:23

A Moody’s considera que com os dados de início de ano da execução orçamental e do crescimento, o Governo terá de tomar medidas adicionais para cumprir com a meta de 2,2% do défice. E avisa que se essas medidas, caso venham a ser necessárias, não forem adoptadas isso poderá levar a uma revisão em baixa do "rating". Considera ainda que o sector bancário "é uma fonte de risco".

"Os dados da execução orçamental dos primeiros quatro meses do ano apontam para dificuldades em reduzir o défice orçamental", referem os analistas da agência na actualização trimestral sobre a economia portuguesa, e que não constitui alterações na mexida do "rating" que está actualmente em Ba1 (a um nível de sair de "lixo") com perspectivas estáveis.

A agência considera que apesar "do crescimento da despesa ter permanecido sob controlo, o crescimento da receita de apenas 0,5% foi significativamente mais baixo que o aumento orçamentado de 3,6%". A Moody’s refere que o "governo comprometeu-se com a implementação de medidas adicionais se a execução orçamental se desviasse do objectivo de reduzir o défice para 2,2% do PIB este ano". E antecipa que "isso se tornará necessário no final do ano, a não ser que a economia comece a crescer de forma mis vigorosa". A agência prevê um défice de 3% este ano.

A Moody's avisa que entre os factores que poderão levar a uma descida do "rating" está a indicação de que "essas medidas não sejam cumpridas". 
Outro dos alertas deixados pela agência sobre o que poderia levar a uma descida do "rating" são as "indicações de uma diminuição do compromisso do governo com a consolidação orçamental e redução da dívida".

Já entre os factores que poderão levar a uma subida de "rating" está "uma forte e clara tendência de descida do rácio de dívida pública". O que para acontecer, diz a Moody’s, "requer uma continuada redução do défice ou um crescimento económico mais forte que o actualmente estimado ou uma combinação dos dois factores". 

Sector bancário é "fonte de risco"

A agência mostra ainda preocupações sobre o sector bancário. Considera que continua a ser "uma fonte de risco". Em relação à intenção do governo em injectar capital na Caixa Geral de Depósitos, a Moody’s refere que "há toda a probabilidade da dívida pública aumentar no montante da injecção de capital, assumindo que o governo financia essa operação via dívida". Isto apesar de considerar que, tendo em conta as regras de concorrência europeias, "não haja impacto nas finanças públicas".

Já em relação ao Novo Banco, a Moody’s diz que o processo de venda "constitui um adicional, ainda que mais indirecto risco de longo prazo para o governo português". Alerta para o risco de que se a venda for feita abaixo do valor injectado pelo Fundo de Resolução isso dificultará o regresso à rentabilidade dos outros bancos, que terão de arcar com essa eventual diferença. 


(Notícia actualizada às 18:34 com mais informações)




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