Finanças Públicas Natixis dá três razões para que a DBRS não baixe “rating” de Portugal

Natixis dá três razões para que a DBRS não baixe “rating” de Portugal

Os analistas do banco francês consideram que o mais provável é que a agência canadiana mantenha a notação portuguesa em grau de investimento.
Natixis dá três razões para que a DBRS não baixe “rating” de Portugal
Rui Barroso 20 de abril de 2016 às 09:21

O dia D para as obrigações portuguesas aproxima-se. A 29 de Abril, a DBRS tem agendada a decisão sobre o "rating" de Portugal. A agência canadiana é a única das seguidas pelo BCE que classifica o país acima de "lixo", uma das condições para que a entidade liderada por Mario Draghi inclua títulos portugueses no seu programa de compras de activos. "Está muito em jogo nesta revisão", considera o Natixis.

Os receios de que a DBRS pudesse cortar o "rating" até já causaram momentos de pressão nas obrigações portuguesas. Mas os analistas do Natixis referiram, numa nota a investidores, que o mais provável é que a agência mantenha a notação em BBB-, um nível apenas acima de "lixo". Isto depois de analisarem três dos principais factores a que a agência canadiana estará atenta na hora de decidir sobre Portugal.

Tendência de crescimento em linha com 2015

O Natixis refere que os indicadores económicos sugerem uma continuidade do crescimento, o que poderá ser um factor positivo para a análise da DBRS. Os analistas do banco destacam que as "tendências nos indicadores económicos de curto prazo e nos inquéritos de confiança desde Novembro de 2015 sugerem que o crescimento permanecerá próximo dos níveis actuais".

Os analistas do banco francês antecipam que o crescimento no primeiro trimestre de 2016 tenha ficado em linha com 2015. Já no total do ano "o crescimento real deverá ser de 1,4%, contra 1,5% em 2015".

Situação política menos incerta

Os analistas do Natixis recordam que a solução governativa que saiu das legislativas de Outubro, com "uma aliança sem precedentes entre o Partido Socialista, do Bloco de Esquerda, os Verdes e o Partido Comunista levantou questões sobre a durabilidade do governo assim como sobre a sua capacidade para cumprir com os compromissos do Pacto de Estabilidade e Crescimento".

Apesar dessas dúvidas, o Natixis considera que "após os primeiros meses no poder, aquelas dúvidas têm sido dissipadas". Acrescentam que "por enquanto, a coligação é estável e o governo foi bem-sucedido na sua primeira missão: conseguir que o Orçamento fosse aceite pela Comissão Europeia".

E dão nota positiva a António Costa, no equilíbrio que tem de fazer entre as exigências de Bruxelas e os partidos mais à esquerda. Os analistas do banco francês defendem que o primeiro-ministro "demonstrou a sua capacidade de responder às exigências de redução da austeridade dos partidos mais à esquerda ao mesmo tempo que continua os esforços orçamentais esperados por Bruxelas".

Défice resistiria a abrandamento do crescimento

O Natixis considera que o Orçamento tem medidas que permitem baixar o défice. A meta do governo é que o défice de 2016 fique em 2,2%. Apesar de considerar que as projecções macroeconómicas do Orçamento são optimistas, o Natixis defende que mesmo que as previsões de crescimento falhem, o défice não ficaria fora de controlo.


Apesar de alertar que "o crescimento continua frágil" e que "os choques externos podem estragar a o cenário do governo para 2016", o Natixis considera que mesmo que o crescimento abrandasse de forma acentuada, a deterioração no défice orçamental seria relativamente moderada, e, mesmo com um crescimento de 1%, ficaria perto do limiar de 3%.

Em resultado da análise a estes factores, o Natixis antecipa que "uma descida do "rating" a 29 de Abril é improvável". 




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