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O que dizem os analistas após a vitória do “não” no referendo?

Os eleitores gregos foram às urnas e, ao contrário do que era antecipado, o resultado não foi renhido. O "não" ganhou com mais de 61%, sendo que agora desenham-se os cenários. A resposta do BCE aos resultados é, quase unanimemente, mais importante. Os mercados irão prestar atenção a isso mesmo, mas nada deverá evitar o impacto negativo no início da semana.

Reuters
André Tanque Jesus andrejesus@negocios.pt 06 de Julho de 2015 às 01:44
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Barclays – "O tempo a Grécia consegue ficar na Zona Euro, sem um programa de assistência financeira, depende da vontade do BCE em continuar a fornecer liquidez ao sector bancário. Se não houver acordo sobre um programa, o BCE irá encerrar a ELA [Assistência de Liquidez de Emergência], o mais tardar a 20 de Julho. Os bancos, então, não terão apenas pouca liquidez, mas tornar-se-ão insolventes. Como resultado, a falta de financiamento iria espoletar um colapso da economia grega. Esta situação não poderá durar mais do que alguns dias, após os quais o Governo helénico terá de decidir assumir de volta o controlo do banco central da Grécia e forçá-lo a dar liquidez aos bancos, assim imprimindo, de facto, outra moeda. Isto seria uma clara violação do Tratado e poria a Grécia fora da união monetária". Este é o comentário do banco britânico, numa nota de análise citada pelo The Telegraph.

 

Berenberg – "A Grécia irá exigir novas negociações e um melhor acordo. Os credores irão negociar, mas não podem oferecer um acordo menos exigente. Com a economia grega em queda, têm de exigir, assim, um acordo mais duro", defende Holger Schmieding. O economista do Berenberg acredita que "o BCE irá, provavelmente, manter o financiamento da ELA, de modo a manter possíveis os levantamentos mínimos. Mas não irá aumentar o tecto do financiamento, de forma a que os bancos possam abrir. Ainda assim, o especialista afirma que "a reacção política na Zona Euro importa muito mais que o BCE. A Zona Euro irá oferecer ajuda, mas provavelmente apenas para suavizar uma saída, em vez de um acordo de resgate total".

 

Citi – "Os eleitores gregos rejeitaram o programa dos credores com o ‘não’ a superar os 60%. Esta é uma clara vitória de curto prazo do Governo helénico, que convenceu o seu eleitorado de que o voto no ‘não’ não significava um voto no ‘Grexit’, mas iria permitir que o Governo negociasse um melhor acordo com os credores", nota a equipa de análise do Citi. "Contudo, na nossa perspectiva, a tentativa de conseguir um melhor acordo poderá falhar, dada a falta de confiança e boa vontade entre o Governo grego e os credores. O falhanço das negociações poderá espoletar eleições antecipadas na Grécia, cujo resultado seria muito incerto. A incerteza política, stress financeiro extremo e agravar da debilidade económica na Grécia iriam persistir", apontam os especialistas.

 

Por agora, apontam, "o controlo de capitais deverá continuar e os riscos do ‘Grexit’ aumentaram". Já em relação aos bancos gregos, "na nossa opinião, apesar dos problemas legais e diferenças de opinião dentro do conselho do BCE, a instituição não deverá, por agora, reduzir o limite da ELA ou aumentar as restrições para os colaterais, de modo a evitar interferir nas decisões dos líderes da Zona Euro. Mas o BCE não deverá aumentar o limite, a não ser que as perspectivas de um acordo melhorem, o que significa que o controlo de capitais, os controlos de levantamentos de depósitos e as restrições em multibanco deverão continuar". Por fim concluem, "na ausência de um acordo, a Grécia estará no limbo e irá deslizar para o ‘Grexit’"

 

Commerzbank – "Com os gregos a tomarem uma posição supreendente e clara contra um acordo com o resto da União Europeia, vemos agora o ‘Grexit’ como o cenário mais provável", afirma Jörg Krämer. O economista-chefe do Commerzbank diz que, agora, "um papel importante recai de novo sobre o BCE. Uma discussão sobre o limite à ELA está agendada para esta segunda-feira, sendo que o BCE deverá querer conferenciar primeiro com os políticos. O BCE teria razões para cortar a ELA e aumentar as restrições aos colaterais, com o incumprimento do país perante o Banco da Grécia a apimentar a discussão, mas o BCE não deverá, ainda assim, antecipar a decisão política sobre a direcção que a Zona Euro deve tomar". 

 

Deutsche Bank – "Diria que a reacção na periferia será similar à registada após a decisão de agendar o referendo, mas irá continuar por mais tempo", afirmou Jack Di Lizia, ao Negócios. O estratego de dívida do Deutsche Bank explica que, na passada segunda-feira, vimos fortes movimentos na dívida de Itália, Espanha e Portugal, mas que ao final do dia estavam amenizados. Esta segunda-feira, graças à incerteza sobre o que irá surgir a seguir, espero reacções iniciais semelhantes, que provavelmente irão manter-se, ao contrário da rápida recuperação da semana passada". O especialista acrescenta que, em Portugal, "a liquidez será bastante reduzida, o que deverá exacerbar os desempenhos".

 

"Quanto ao resto da semana, o factor-chave será a resposta do BCE. Se o mercado ficar desordeiro e começarmos a ver um aumento significativo do ‘spread’ entre a periferia e o ‘core’, o nosso cenário base é que o BCE irá intervir", acrescenta Jack Di Lizia. O estratego aponta que "poderá ser sob a forma de mais compras significativas pelo programa de compra de activos, com os bancos centrais nacionais potencialmente a apostarem em obrigações com maturidades mais longas, de modo a apoiar os mercados. Contudo, é importante relembrar que o BCE preocupa-se mais com as condições financeiras do que com os movimentos de curto prazo dos mercados, pelo que poderá não haver uma resposta imediata.

 

RBC – A vitória do ‘não’ no referendo aumenta o risco de a Grécia sair da Zona Euro, defende Elsa Lignos, directora de estratégia cambial do RBC Capital Markets. Citada pelo The Wall Street Journal, a especialista aponta que este cenário será reforçado, caso o Governo grego acredite que tem, agora, mais poder para negociar e caso traga mais "linhas vermelhas" para as conversações. Ainda assim, diz, "continuamos a afirmar que a vitória do ‘não’ não traduz, por si, a saída do euro. Os gregos continuam a apoiar em força a permanência na Zona Euro".

 

Société Générale – "Após esta vitória do ‘não’, prevejo que os mercados irão recuar moderadamente, com uma modesta subida dos juros das obrigações portuguesas e uma pequena queda das acções. As reacções iniciais poderão ser mais brutais. Contudo, quando ficar claro que o BCE irá renovar a ajuda e não tirar o tapete aos bancos gregos, os mercados irão acalmar", disse Ciaran O’Hagan, ao Negócios. O director de estratégia de dívida do Société Genérale afirma que "os mercados irão manter-se constantes e o apetite por risco irá melhorar, assim que um acordo for eventualmente assinado".

 

O especialista defende ainda que "a vitória do ‘não’ não irá espletar imediatamento o ‘Grexit’. Espero que as negociações sobre as reformas sejam concluídas e a Grécia acabe por implementar as propostas desagradáveis. O BCE irá manter o financiamento [aos bancos] através da ELA, apesar de potencialmente aumentar as restrições quanto aos colaterais. Acredito que o BCE apenas irá retirar a ELA com o apoio implícito dos líderes da União Europeia, ou seja, apenas quanto o Eurogrupo e os líderes da EU tornarem claro que não há solução possível e que o ‘Grexit’ não pode mais ser evitado".

 

(Conteúdo actualizado às 16h00, com os comentário do Citi e do Commerzbank)

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