Obrigações Obrigações que passam para o BES em forte queda, mesmo com a suspensão da CMVM

Obrigações que passam para o BES em forte queda, mesmo com a suspensão da CMVM

Os títulos de dívida do Novo Banco que vão ser transferidos para o banco "mau", perdendo todo o seu valor, estão a afundar no mercado. Há quedas de mais de 80%. Os grandes investidores estão indignados com o tratamento diferenciado face aos pequenos.
Obrigações que passam para o BES em forte queda, mesmo com a suspensão da CMVM
Paulo Moutinho 30 de dezembro de 2015 às 15:47

A CMVM suspendeu a negociação das obrigações, mas estão a ser feitas transacções com estes títulos fora de mercado. E o preço dos títulos de dívida sénior do Novo Banco que vão passar para o BES está a afundar. Há várias com quedas de mais de 80%, com os grandes investidores a reconhecerem a perda nestes títulos. E o facto de só estes serem penalizados não está a ser bem recebido, com os gestores a questionarem a validade de tal opção por parte do Banco de Portugal.


São várias as linhas de obrigações sénior que estão a reagir negativamente à solução implementada pelo regulador do sector financeiro para capitalizar o Novo Banco. Carlos Costa decidiu transferir cinco emissões de obrigações, denominadas em euros, com maturidades a serem alcançadas em 2016, 2017, 2018, 2019 e 2024. Em conjunto, estão avaliadas em 1.985 milhões de euros. É dinheiro perdido. E nos mercados, já está a desaparecer.


A título de exemplo, a dívida sénior que atinge a maturidade em Maio de 2017, estava a cotar nos 92,67 euros. A taxa de juro estava em 8,57%. Está a cair 84% para apenas 14,749 euros, tendo chegado a afundar um máximo de 86% para 12,47 euros, apresentando uma "yield" de 322%. Uma descida acentuada em títulos suspensos pelo regulado do mercado que, contudo, estão a ser transaccionados fora de mercado, ao balcão.


Esta forte descida do valor destes títulos não está a afectar as restantes obrigações do Novo Banco, que não são transferidas para o BES. Há descidas, mas são muito ligeiras. Mesmo os "credit default swaps" (CDS) do Novo Banco, que funcionam como um seguro no caso de incumprimento do emitente, registam um agravamento ligeiro. Estão a subir 3% para 694,8 euros. Não sobem mais pois não poderão ser activados já que não há, efectivamente, um evento de crédito.

Batalhas legais


A decisão do Banco de Portugal não está a ser bem recebida pelos investidores, e mesmo por gestores de fundos. É que a transferência de dívida para o banco "mau" só afectará grandes investidores, ou seja, institucionais com obrigações seniores. Os pequenos investidores com os mesmos títulos, que oferecem as mesmas garantias, não serão penalizados. Há uma diferença de tratamento que pode vir a ser contestada junto das instâncias judiciais.


Mark Holman, presidente-executivo da TwentyFour Asset Management, diz à Bloomberg que admitia que "alguma coisa poderia acontecer. No entanto, também assumimos que seriam seguidos os protocolos. A linguagem dos ‘rankings’ iguais [em termos de protecção dos investidores] está em todos os prospectos", salienta. "Mas no evento de um ‘bail in’, o banco central reclama o direito de mudar as regras, incluindo esta. Se for o caso, podemos esperar um grande número de batalhas legais", remata.


Simon Adamson, analista da CreditSights, antecipa também uma guerra judicial. "É possível que tenhamos guerras judiciais por parte dos detentores dos títulos" afectados do Novo Banco. A haver custos, quem pagará? "Compete ao Fundo de Resolução neutralizar, por via compensatória junto do Novo Banco, os eventuais efeitos negativos de decisões futuras, decorrentes do processo de resolução, de que resultem responsabilidades ou contingências", diz o Banco de Portugal.




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