Obrigações Portugal à espera de melhor rating da Fitch

Portugal à espera de melhor rating da Fitch

Tudo aponta para que a Fitch anuncie hoje uma melhoria da qualidade da dívida soberana portuguesa. Em maio, ao melhorar a perspetiva, deixou no ar a possibilidade de um BBB+ para esta altura. Mas até pode subir em mais do que um nível.
Portugal à espera de melhor rating da Fitch
Lusa
Carla Pedro 22 de novembro de 2019 às 07:00
No passado dia 24 maio, a Fitch melhorou a perspetiva (outlook) para a evolução da qualidade da dívida de longo prazo da República Portuguesa, de "estável" para "positiva", abrindo assim caminho a uma subida do "rating" depois das eleições legislativas. E é isso que se espera que aconteça esta sexta-feira.

"Penso que pode ser possível haver um ‘upgrade’. Os custos de financiamento estão bastante baixos e há muito mais estabilidade política em Portugal do que em Espanha e em Itália", comentou ao Negócios o analista-chefe do departamento de mercados do Danske Bank, Jens Peter Sørensen.

Este foi também um dos pontos focados pela Fitch aquando da sua avaliação da dívida soberana portuguesa em maio. Nessa altura, a agência destacou a evolução recente da taxa de juro da dívida de Portugal a 10 anos no mercado secundário, que estava, pela primeira vez, abaixo de 1%, "um valor sem paralelo histórico". "E o diferencial face a Espanha tem também vindo a reduzir-se ao longo de 2019. Juros mais baixos são também uma boa notícia para as famílias e as empresas, que podem assim investir a custos mais reduzidos", sublinhava.

Desde então, essa tendência prosseguiu e os juros da dívida nacional têm estado a negociar abaixo dos juros espanhóis desde meados de outubro, o que pode significar que os investidores veem atualmente menos risco na dívida portuguesa do que na espanhola.

E para o Danske Bank, as obrigações de Portugal estão mesmo entre as preferidas. "Continuamos a gostar de recomendar aos nossos clientes a compra de dívida portuguesa, que também conta com um sólido apoio do programa de flexibilização quantitativa do Banco Cental Europeu", comentou Sørensen. Por isso, "quando a nova época de emissão de dívida arrancar, em janeiro, Portugal será um dos investimentos de eleição", acrescentou o analista.

O esperado BBB+

A Standard & Poor’s foi a primeira das três grandes agências a tirar Portugal do "lixo", em setembro de 2017. A Fitch fê-lo três meses depois e a Moody’s só tomou a mesma decisão em outubro de 2018.

Neste momento, a S&P e a Fitch têm a dívida de longo prazo de Portugal no penúltimo nível da categoria de investimento de qualidade – ou seja, dois graus acima de "junk" (categoria de investimento especulativo): BBB.

Já a Moody’s coloca Portugal no último nível de investimento de qualidade, tendo em agosto elevado o "outlook" mas mantido a notação, à espera do governo que iria sair das legislativas para avaliar se irá manter-se a trajetória de descida da dívida pública.

Penso que pode ser possível uma melhoria
[da avaliação] da dívida
de Portugal por parte da Fitch.


Continuamos a gostar de recomendar
aos nossos clientes a compra de dívida portuguesa.
Jens Peter Sørensen
Analista-chefe do departamento
de mercados do Danske Bank


A canadiana DBRS também tinha a classificação da dívida da República no penúltimo grau, mas no passado dia 4 de outubro, a dois dias das eleições, deu novo voto de confiança ao país, subindo o rating de Portugal para o nível mais elevado em oito anos, no terceiro nível acima de "lixo".

Agora, se a Fitch melhorar a notação de Portugal em um nível, para BBB+, passa a dar ao país a mesma classificação que a DBRS. A agência pode até optar por elevar o rating numa proporção maior.

Esta é a última avaliação calendarizada para 2019, não estando ainda disponíveis as datas do próximo ano.

Desde 2014, com a introdução de novas regras – por parte da Autoridade Europeia dos Mercados e Valores Mobiliários (ESMA, na sigla em inglês) – para as agências que atribuem notas às dívidas soberanas da Europa, passou a ser proibido lançar comentários sobre a notação de países durante o horário de funcionamento dos mercados. As agências passaram a poder fazê-lo apenas à sexta-feira, após o fecho das bolsas norte-americanas. Ou seja, esta sexta-feira só há relatório da Fitch a partir das 21:00 de Lisboa. 

A FAVOR | CONTRA

O que pode fazer subir ou descer a notação da dívida

Há fatores-chave que pesam na decisão de uma agência de rating na hora de dar uma nota melhor, igual ou pior à qualidade da dívida de um país.

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Consolidação orçamental
Em maio, a Fitch elogiou o processo de consolidação orçamental de Portugal, dizendo que se traduzia em excedentes primários sustentados que estavam a contribuir para a diminuição do rácio da dívida pública sobre o PIB.

Menor dívida pública
A trajetória de redução do rácio da dívida pública sobre o PIB é outro dos aspetos fundamentais aquando da avaliação das obrigações soberanas.

Melhoria do setor financeiro
A melhoria das condições no setor financeiro, nomeadamente a diminuição do crédito malparado na banca, é preponderante.

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Choques externos
A Fitch frisava, em maio, que "a economia altamente aberta de Portugal deixa o país vulnerável a choques externos". O que, em caso de forte exposição a um contexto negativo, pode retirar otimismo.

Menor Crescimento
O impacto em Portugal do fraco crescimento da Zona Euro levou as contas correntes para um défice de 0,6% do PIB em 2018, depois de 5 anos de excedentes modestos. O crescimento do PIB tem um peso relevante na nota.

Instabilidade laboral
Se o mercado de trabalho se deteriorar, haverá pressão na classificação da dívida. O mesmo acontece com uma queda das exportações.




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