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Portugal emite 1.250 milhões com juros abaixo de 0,1%

O instituto liderado por Cristina Casalinho voltou a colocar dívida às taxas de juro mais baixas de sempre. A seis meses, Portugal colocou 300 milhões de euros, ao passo que emitiu 950 milhões a 12 meses.

Bruno Simão/Negócios
André Tanque Jesus andrejesus@negocios.pt 18 de Março de 2015 às 10:41

A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) emitiu 1.250 milhões em bilhetes do Tesouro (BT) esta quarta-feira, 18 de Março. As taxas de juro obtidas foram as mais baixas de sempre em ambas as maturidades, com as operações a ficarem também marcadas por um aumento da procura.

 

Portugal emitiu um total de 950 milhões de euros em BT a 12 meses. Uma operação na qual o instituto liderado por Cristina Casalinho (na foto) conseguiu uma taxa de juro de 0,094%, abaixo dos 0,138% registou no último leilão equivalente, em Fevereiro. A procura, por seu lado, foi também positiva, ao ascender a 1,99 vezes a oferta.

 

Já na colocação de dívida a seis meses, o IGCP optou por vender 300 milhões de euros de BT. Um montante que foi acompanhado por uma taxa média ponderada de 0,047%, sendo que Portugal nunca antes tinha pago menos de 0,1% para emitir dívida com esta maturidade. Nesta operação, a procura foi mesmo superior à registada no último leilão equivalente, tendo ascendido a 2,78 vezes a oferta.

 

Feitas as contas, Portugal colocou um total de 1.250 milhões de euros, valor que corresponde ao montante máximo indicado aquando do anúncio do leilão. Esta operação marca a continuação da tendência de redução das taxas de juro, algo que era previsto pelos analistas, como avança o Negócios na edição desta quarta-feira.

 

Mas é na emissão de dívida a seis meses que reside o valor "surpresa". Isto porque, ao contrário do que é normal, a taxa de juro obtida nesta colocação de dívida foi inferior ao mínimo histórico registado no mercado secundário: 0,0487%. Um número que evidencia ainda mais o actual contexto do mercado, numa altura em que o Banco Central Europeu (BCE) está a comprar dívida do sector público.

 

"Estes mínimos são, essencialmente, consequência do plano de compra de dívida do BCE", atira Filipe Silva. O director de gestão de activos do Banco Carregosa explica que, "embora [o banco central] não compre BT, as taxas da dívida de curto prazo seguem as taxas das obrigações do Tesouro". Por isso, diz, "faz todo o sentido o IGCP aproveitar para emitir e baixar o custo médio da dívida portuguesa".

 

"Portugal conseguiu hoje mais uma emissão bem-sucedida de dívida de curto prazo", disse Steven Santos. O gestor da XTB considera que "os investidores disputaram os bilhetes do Tesouro, devido à dificuldade crescente em encontrar títulos de dívida com rentabilidade positiva na Zona Euro". O responsável explica também que "o plano de compras do BCE tem ajudado a execução da estratégia definida pelo IGCP, nomeadamente a redução do custo médio da dívida e o reembolso antecipado ao FMI".

 

Apesar da queda dos juros nas emissões de dívida, os desempenhos no mercado secundário não são tão animadores. Os juros da dívida soberana na periferia sobem pela terceira sessão consecutiva, tendo sido sempre, contudo, de forma pouco acentuada. Em Portugal, a "yield" da dívida a 10 anos avança 6,4 pontos base para 1,695%.

 

(Notícia actualizada às 11h19, com o comentário da XTB)

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