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Portugal emite dívida de curto prazo com taxa negativa mais baixa de sempre

Na primeira emissão de dívida de curto prazo do ano o IGCP voltou a pagar taxas negativas e inferiores às últimas operações. No prazo a seis meses a taxa foi mesmo a mais baixa de sempre.

Bruno Simão
Nuno Carregueiro nc@negocios.pt 15 de Janeiro de 2020 às 10:41
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O IGCP realizou esta quarta-feira o primeiro leilão de dívida de curto prazo de 2020, voltando a conseguir financiar-se a taxas negativas e mais baixas do que nas emissões similares anteriores.

 

O instituto liderado por Cristina Casalinho colocou 500 milhões de euros em bilhetes do Tesouro com maturidade em 17 de julho de 2020,  com uma "yield" de -0,487%.

No prazo a seis meses esta é a taxa de financiamento mais baixa de sempre e compara com o juro de -0,463% na última emissão com este prazo, que foi realizada em setembro de 2019. No que diz respeito à procura (1.120 milhões de euros), foi menos forte, pois superou a oferta em 2,24 vezes, o que compara com as 4 vezes em setembro. 
 

Esta quarta-feira o IGCP colocou também 1.250 milhões de euros em títulos com maturidade em 15 de janeiro de 2021 (12 meses), com uma taxa de juro de -0,482%. Esta taxa é inferior à do leilão de setembro (-0,44%) e também de outubro, quando o IGCP colocou bilhetes do tesouro com maturidade a 11 meses e uma taxa de -0,45%.

Em agosto do ano passado o IGCP tinha colocado títulos a 12 meses com uma taxa mais baixa: -0,557%. Nesta emissão de títulos a 12 meses que foi hoje concretizada a procura (2.230 milhões de euros) foi inferior a duas vezes o montante oferecido.

 

No total o IGCP emitiu 1.750 milhões de euros neste duplo leilão, em linha com o ponto mais elevado do intervalo pré-definido na semana passada, que se situava entre 1.500 e 1.750 milhões de euros.

Apesar da procura menos robusta nas duas emissões, o IGCP conseguiu baixar os seus custos de financiamento apesar de no mercado secundário se ter assistido recentemente a um agravamento das taxas de juro, devido à menor procura de ativos de menor risco por parte dos investidores.  

Esta descida mostra que permanece intacto o apetite dos investidores por dívida soberana portuguesa, que segundo os analistas deverá continuar a beneficiar sobretudo com o programa de compra de ativos do Banco Central Europeu.

Este interesse já se notou na habitual emissão sindicada de início do ano realizada pelo IGCP na semana passada. O Estado português conseguiu angariar quatro mil milhões de euros com uma taxa final de 0,499%.

No programa de financiamento para 2020, o IGCP anunciou que prevê emitir 13,25 mil milhões de euros em Bilhetes do Tesouro em 2020, sendo que com a emissão de hoje garantiu já 13,2% do financiamento anual em BT. Contudo, ao longo do ano serão amortizados quase 12 mil milhões de euros, colocando a emissão em termos líquidos em pouco mais de mil milhões de euros.

Tendo em conta que o IGCP se consegue financiar a taxas cada vez mais reduzidas, o custo da "nova dívida" tem vindo a cair gradualmente. O custo médio da dívida emitida entre janeiro e novembro situou-se nos 1,1%, um novo mínimo, pelo menos, desde 2010, segundo os dados da agência.

(notícia atualizada às 11:01 com mais informação e título alterado para destacar taxa mais baixa de sempre na emissão a seis meses)

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