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Portugal emite dívida a 10 anos com segunda taxa de juro mais baixa de sempre

No duplo leilão realizado esta manhã o IGCP arrecadou 1.211 milhões de euros. Na emissão a 10 anos a taxa baixou para 0,329%, o que representa o segundo custo de financiamento mais baixo de sempre nesta maturidade.

Pedro Elias
Nuno Carregueiro nc@negocios.pt 09 de Setembro de 2020 às 10:45
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O IGCP colocou hoje 1.211 milhões de euros em obrigações de longo prazo, suportando um custo de financiamento mais baixo do que o registado nas últimas emissões.

 

O instituto que gere a dívida nacional emitiu 964 milhões de euros em títulos com maturidade em 18 de outubro de 2030 (10 anos), com uma yield de 0,329%.

 

A última vez que Portugal realizou um leilão de dívida com maturidade a 10 anos foi no passado dia 26 de agosto. Nessa altura, o IGCP colocou 800 milhões de euros com uma taxa de juro de 0,336%.

A taxa de hoje é a mais baixa desde setembro do ano passado, quando Portugal se financiou ao custo mais baixo de sempre (0,264%) a 10 anos.  

Além de ter conseguido agora a segunda taxa mais baixa de sempre, este é já o quinto mês consecutivo de descida no custo de financiamento de Portugal nas emissões a 10 anos, depois do pico registado em abril acima de 1% numa altura de forte stress nos mercados devido à pandemia.
 

No duplo leilão desta quarta-feira, o IGCP também colocou 247 milhões de euros em títulos com maturidade em 15 de fevereiro de 2045 (25 anos). A yield ficou em 1,045%, o que compara com o juro de 1,426% suportado na última vez em que o IGCP emitiu nesta linha, em julho do ano passado.

A dívida portuguesa tem beneficiado com a política monetária do Banco Central Europeu, que reforçou o seu programa de compra de dívida para responder aos efeitos negativos da pandemia. Esta quinta-feira, segundo a estimativa dos analistas, a instituição liderada por Christine Lagarde deverá sinalizar um novo aumento no programa de compras, o que mantém o apetite dos investidores por dívida soberana europeia, apesar das "yields" cada vez mais baixas.

"O sucesso das emissões, bem como a estabilidade do risco da dívida soberana portuguesa, estão diretamente ligadas com os apoios que o Banco Central Europeu tem vindo a fazer para evitar uma severa recessão na Europa, derivada do impacto que a covid-19 está a ter nas diferentes economias", diz Filipe Silva, diretor de investimentos do Banco Carregosa, considerando que "será preciso esperar mais alguns meses para perceber se as medidas que cada governo está a adotar para estimular a economia, serão suficientes para preservar e conseguir criar emprego".

"Face à massiva injeção de liquidez nos mercados, tem sido possível a Portugal conseguir renovar as suas linhas de financiamento com taxas muito baixas e para prazos mais curtos negativas, o que tem um efeito muito positivo na pressão que o custo do serviço da dívida tem nas contas públicas", acrescenta Filipe Silva.

No duplo leilão de hoje a procura por títulos a 10 anos superou a oferta em 2,19 vezes. Na emissão a 25 anos superou em 3,41 vezes. Portugal tinha previsto emitir entre mil e 1.250 milhões de euros, tendo colocado muito perto do montante máximo.

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