Obrigações Portugal faz "um a dois leilões" de dívida para colmatar receita do Novo Banco

Portugal faz "um a dois leilões" de dívida para colmatar receita do Novo Banco

O programa de financiamento para os últimos três meses do ano prevê mais dois leilões de longo prazo de 750 a mil milhões de euros, cada. Parte desta verba permitirá ao IGCP compensar a ausência de receita do Novo Banco.
Portugal faz "um a dois leilões" de dívida para colmatar receita do Novo Banco
Miguel Baltazar/Negócios
Paulo Moutinho 05 de outubro de 2015 às 22:40

Portugal vai manter-se activo no mercado de dívida até ao final do ano. Pretende, de acordo com o programa de financiamento divulgado pela Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP), obter mais 5.750 milhões de euros junto de grandes investidores, sendo que parte deverá ser obtido com títulos de longo prazo. A meta é fazer "um a dois" leilões de obrigações do Tesouro (OT), dinheiro que permitirá colmatar a ausência do encaixe dos 3.900 milhões com o Novo Banco.

"No próximo trimestre, o IGCP prevê a realização de um a dois leilões de OT, sendo esperadas colocações de 750 a 1.000 milhões de euros por leilão", refere a nota emitida pela entidade que gere a tesouraria, o financiamento e a dívida pública directa do Estado. São dois leilões com os quais a entidade liderada por Cristina Casalinho irá procurar obter até 2.000 milhões de euros, sendo que uma parte terá como objectivo compensar o adiamento da venda do Novo Banco.

Em Setembro, o IGCP actualizou o seu plano de financiamento, apontando para a necessidade de emitir mais 500 milhões de euros em dívida de longo prazo com este objectivo. Além disso, prevê obter mais 800 milhões em dívida junto dos investidores de retalho e deverá utilizar uma parte da "almofada" financeira. Ao mesmo tempo, coloca um travão nos reembolsos antecipados ao FMI. Só este ano já pagou 8.400 milhões de euros.

Três leilões até Dezembro
Além das operações de financiamento de longo prazo, que serão realizadas às "segundas ou quartas quartas-feiras de cada mês", o IGCP vai também realizar mais três leilões de títulos de curto prazo. Nestas três operações, pretende obter entre um mínimo de três e um máximo de 3.750 milhões de euros, sendo o primeiro leilão a 21 de Outubro.
Nestes leilões de curto prazo, o IGCP irá reabrir linhas de dívida a três, seis e 11 meses, sendo que será feito o lançamento de uma nova linha de bilhetes do Tesouro a 12 meses no leilão a realizar a 18 de Novembro. O último leilão de curto prazo irá acontecer a 16 de Dezembro, refere o IGCP.

Como compensar o Novo Banco?
Emitir mais dívida é uma das soluções para compensar a ausência da receita de 3,9 mil milhões de euros com o NB.

Não pagar ao FMI
No novo mapa de financiamento do IGCP, desaparece o pagamento antecipado ao FMI de 2,2 mil milhões de euros previsto até ao final do ano.

Mais dívida
Está prevista a emissão de mais 1,3 mil milhões de euros de dívida, sendo 500 milhões em obrigações do Tesouro.

Aposta nas famílias
O IGCP antecipa obter mais 800 milhões de euros com a dívida de retalho, ou seja, certificados de aforro, CTPM e possivelmente as obrigações para o retalho.

Utilizar a "almofada"
O nível de depósitos – tratados por "almofada" – vai reduzir-se em 400 milhões, de 9 mil milhões para 8,6 mil milhões.

BCE compra mais dívida nacional
O BCE voltou a superar a meta de compras de dívida. Depois de falhar o objectivo em Agosto, ficou acima dos 60 mil milhões no mês passado, fruto do elevado investimento feito em títulos soberanos. A autoridade monetária gastou 60.565 milhões de euros no âmbito dos vários programas de compras em vigor, sendo que no de compra de activos do sector público (PSPP) gastou 49.184 milhões. É dos grandes países que o BCE mais compra dívida soberana, em valor: 11.851 milhões em obrigações alemãs, 9.485 milhões em títulos franceses e 8.234 milhões em dívida italiana.

De obrigações portuguesas comprou 1.148 milhões, passando a deter 7.770 milhões. Este maior investimento foi feito, essencialmente, em títulos de longo prazo. A maturidade média das obrigações portuguesas que o BCE detém passou de 10,77 para 10,86 anos, entre Agosto e Setembro, mantendo-se Portugal como o país de que Draghi tem títulos com um prazo mais longo.






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