Obrigações Portugal de fora das emissões de dívida “perpétua”

Portugal de fora das emissões de dívida “perpétua”

Cinco países europeus já emitiram em 2016 dívida com prazos a 50 e 100 anos. Um grupo no qual a Bélgica aparece até como repetente. O ambiente de juros baixos continua a estimular as emissões dos Estados, num mercado repleto de investidores sedentos de retornos atractivos.
Portugal de fora das emissões de dívida “perpétua”
André Tanque Jesus 30 de maio de 2016 às 20:03

Nunca houve taxas de juro assim. Com as políticas monetárias expansionistas, a dívida soberana da Zona Euro tem estado no topo dos ganhos. Isso mesmo revelam os mínimos históricos das taxas das obrigações, que chegam até a ser negativos em vários países. A aproveitar o ambiente favorável, Bélgica, Espanha, França, Irlanda e Suíça já fizeram emissões de obrigações a 50 e até 100 anos. Dívida quase "perpétua" à qual, dizem os analistas, é difícil que Portugal venha a recorrer.

 

O ambiente de juros baixos virou "de pernas para o ar" o mercado de dívida. Se há seis anos a Irlanda pedia assistência financeira, 2016 foi o ano em que o país emitiu 100 milhões de euros em dívida a 100 anos. Uma colocação privada de títulos extremamente raros, mas que também foi realizada pela Bélgica – além de uma emissão a 50 anos. Com o mesmo montante, a percepção dos especialistas é que terá sido um grupo específico de investidores a requerer os títulos, de modo a contrariar os juros baixos e até negativos em prazos mais curtos.

 

Mas estes não são casos únicos. Espanha, por exemplo, já emitiu três mil milhões de euros em obrigações com maturidade a 50 anos, tendo pago uma taxa de juro de aproximadamente 3,5%. Também França e Suíça já apostaram em títulos com esta maturidade. E Portugal? "Uma linha a 50 anos não parece ser uma opção para Portugal, pelo menos não com um montante relevante", atira David Schnautz. O estratego de dívida do Commberzbank afasta de tal forma a ideia que considera que "mesmo dívida a 30 anos não parece atractiva, tendo em conta que os juros estão claramente acima de 4%".

 

Também Lyn Graham-Taylor diz que será "difícil que venha a fazê-lo com qualquer volume significativo". Isto apesar de admitir que "poderá haver alguns investidores interessados", potencialmente até mil milhões de euros. Contudo, diz o estratego de dívida do Rabobank, "não vejo que consiga emitir maturidades muito diferentes das que tem feito até agora". Na melhor das hipóteses, conclui, "na linha que vence em 2045".

Conheças as emissões "perpétuas" feitas na Europa




















Fonte: Bloomberg



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