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Rabobank: Programa da esquerda contém “propostas susceptíveis de irritar os credores”

A reversão dos cortes salariais na função pública e das privatizações são medidas que, para o banco holandês, não cairão bem junto dos investidores. Já o Commerzbank desconfia da sustentabilidade de um governo de esquerda, ao passo que o RBS diz que o programa do PS é "menos amigo dos mercados".

André Tanque Jesus andrejesus@negocios.pt 09 de Novembro de 2015 às 11:02
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"Nem tudo na periferia da Zona Euro está bem". É desta forma que o Rabobank refere-se a Portugal, numa nota de análise divulgada esta segunda-feira, 9 de Novembro. Os especialistas do banco holandês apontam para o acordo entre PS, BE e CDU, que deverá culminar na queda do actual Governo e na ascensão de António Costa a primeiro-ministro. Em particular, criticam, o programa apresentado contém "propostas susceptíveis de irritar os credores oficiais do país".

"Em Portugal, os socialistas aprovaram um plano durante o fim-de-semana, com o objectivo de unir forças com o Bloco de Esquerda, o Partido Comunista e Os Verdes para derrubar o Governo minoritário recentemente eleito, liderado pelo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho", escreve a equipa de análise do Rabobank. Os especialistas relembram ainda que "os socialistas anunciaram que irão apresentar uma moção ao Parlamento, para rejeitar o programa económico do novo Governo, o que irá resultar no seu colapso".

Mas é no programa apresentado pelo PS que o Rabobank vê problemas. "O programa apoiado pela esquerda inclui várias propostas susceptíveis de irritar os credores oficiais do país", atiram os especialistas. Entre estas, exemplificam, está "a reversão dos cortes salariais da função pública, efectuados durante o programa de resgate, e a reversão de privatizações já em curso", como é o caso da TAP e da EGF.

"Estes desenvolvimentos realçam o facto de Portugal ter um estatuto de risco mais elevado e, por isso, estar entre os principais beneficiários das compras de activos" do BCE, defende o Rabobank. A expansão monetária tem sido responsável por manter os juros da dívida portuguesa baixos, mas "sem dúvida que oferece um retorno inadequado, tendo em conta o elevado risco actualmente inerente às obrigações portuguesas".

Isto num dia em que os juros da dívida estão em forte alta. A taxa de juro das obrigações nacionais a 10 anos dispara 16,5 pontos para 2,845%. E já chegou a tocar nos 2,866%, o valor mais elevado desde 13 de Julho. Ao mesmo tempo, o prémio de risco exigido pelos investidores, traduzido pelo "spread" face à taxa alemã a 10 anos, está a negociar nos 212,5 pontos, um máximo de 9 de Julho.

Aliança da esquerda é insustentável
PS, BE e CDU chegaram a acordo, mas o Commerzbank duvida da sua viabilidade. "Embora tenham concordado na oposição ao actual Governo, um executivo de esquerda dificilmente parece uma aliança sustentável", referem David Schnautz e Rainer Guntermann, numa nota de análise publicada esta segunda-feira. Os estrategas de dívida do banco alemão justificam a posição com "o grande desacordo dentro do Partido Socialista, sobre se devem ou não aliar-se de forma duradoura com o Partido Comunista".

"Sendo que novas eleições não serão possíveis antes de Abril, o foco estará no Presidente de Portugal, Cavaco Silva, e nos seus esforços para eventualmente encontrar um primeiro-ministro comummente aceite", acrescentam ainda. E relembram a revisão ao "rating" de Portugal, que a DBRS deverá apresentar na sexta-feira, devido aos efeitos negativos que um eventual corte da notação financeira – apesar de improvável – terá na dívida portuguesa.

Também o Royal Bank of Scotland aponta para Cavaco Silva, referindo que, apesar de "ter falado publicamente contra um governo que incluísse os radicais de esquerda, irá provavelmente empossar António Costa, agora que parece ter uma alternativa viável de Governo".

Mas deixa o alerta: "o programa da coligação de esquerda é claramente menos ‘amigo dos mercados’ do que o programa do Governo incumbente". Os especialistas do banco britânico apontam directamente para medidas como "aumentos do salário mínimo", "uma reversão no congelamento das pensões e dos salários da função pública", "o restabelecimento de quatro feriados públicos abolidos em 2012", entre outros. Razões que levam o RBS a reiterar que "preferem expressar o positivismo em relação ao BCE, através [de dívida pública] de Espanha e Itália".
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