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Rabobank "reticente" em apostar na dívida nacional devido à "incerteza política"

"Claramente, a possibilidade de uma coligação de esquerda aumentou", diz o banco de investimento, salientando que o risco de concessões à austeridade exige cautela na aposta em dívida de Portugal.

Costa transmitiu ao Presidente da República que o PS julga estarem 'criadas as condições para que o PS possa formar um Governo que disponha de apoio maioritário na Assembleia da República e que disponha de condições de estabilidade no país'.
Miguel Baltazar/Negócios
Paulo Moutinho 21 de Outubro de 2015 às 09:56
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PSD e CDS-PP ganharam as eleições em coligação, mas sem maioria absoluta. Mas o PS está a conseguir acordos com os partidos de esquerda, sendo que a possibilidade de esta aliança à esquerda está a aumentar. E isso leva o Rabobank a alertar os investidores sobre o investimento na dívida nacional. Com tanta "incerteza política", o banco de investimento diz estar "reticente" em manter uma posição longa nas obrigações do Tesouro.

 

"No caminho para as eleições pensávamos que a ameaça às obrigações portuguesas estava limitada já que tanto a coligação [Portugal à Frente] como o PS defendiam medidas que suportavam a austeridade e uma coligação à esquerda parecia improvável. Contudo, claramente essa possibilidade de uma coligação de esquerda aumentou", diz o banco de investimento numa nota obtida pelo Negócios.

 

E para conseguir essa coligação de esquerda, "o PS deverá fazer algumas concessões na austeridade à CDU e ao BE", nota, o que poderá fazer aumentar a tensão no mercado de dívida nacional. A acontecer esta coligação de esquerda, "ficaríamos muito reticentes em entrar em posições longas [apostar na valorização dos títulos] em Portugal enquanto esta incerteza política permanecer", remata o Rabobank. Mesmo com o BCE no mercado.

 

O banco nota que esta terça-feira, 20 de Outubro, foi "relativamente calma em termos de ‘spreads’ face à dívida alemã, mas as notícias de Portugal [de um crescente entendimento entre o PS e os restantes partidos de esquerda] está a levar a um aumento do prémio de risco da dívida portuguesa face à alemã".

 

O "spread" da dívida portuguesa face às "bunds" está a subir 5,5 pontos. Está em 184,7 pontos base, com a taxa a 10 anos a agravar-se em 3,1 pontos para 2,45%, enquanto a "yield" da dívida da maior economia da Europa, a da Alemanha, está a cair. A taxa a 10 anos desce 2,2 pontos para 0,604%.

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