Obrigações Risco da dívida portuguesa em máximos de quase um ano com subida da inflação na Alemanha

Risco da dívida portuguesa em máximos de quase um ano com subida da inflação na Alemanha

Portugal lidera a subida dos juros na Zona Euro, depois de ter sido divulgado que a taxa de inflação na Alemanha subiu para 1,7% em Dezembro, o nível mais alto desde meados de 2013.
Risco da dívida portuguesa em máximos de quase um ano com subida da inflação na Alemanha
Rita Faria 03 de janeiro de 2017 às 14:22

A subida dos juros da dívida dos países da Zona Euro intensificou-se esta terça-feira, 3 de Janeiro, após a divulgação dos dados da inflação na Alemanha, que avançou, em Dezembro, para o nível mais alto desde Julho de 2013.

O agravamento das yields é mais expressivo em Portugal, onde os juros das obrigações a dez anos disparam 17,1 pontos base para 3,876%. Em Espanha, a ‘yield’ avança 7,3 pontos para 1,404% e, em Itália, 10,1 pontos base para 1,844%. Já na Alemanha, os juros das obrigações a dez anos escalam 6,3 pontos para 0,252%.

Além dos juros, também o risco da dívida portuguesa (medido pelo spread face à dívida germânica) está mais alto esta terça-feira, dado que a subida dos juros por cá é muito mais acentuada do que na Alemanha. O spread avança, nesta altura, 11,8 pontos para 359,2 pontos, o nível mais alto desde Fevereiro do ano passado.

Esta manhã foram divulgados os dados sobre a evolução dos preços no consumidor nas várias regiões da Alemanha que já apontavam para uma aceleração da inflação. Os números reflectiram-se imediatamente no mercado de dívida, com uma subida dos juros na generalidade dos países da moeda única.

No entanto, as subidas agravaram-se significativamente depois de revelados os dados, a nível nacional, ao início desta tarde, que superaram todas as estimativas dos economistas.

Segundo anunciou o gabinete nacional de estatística, a taxa de inflação na Alemanha fixou-se em 1,7% em Dezembro, quando os economistas apontavam para 1,3%. Em Novembro, a inflação estava em 0,7%.

O crescimento dos preços, que mais do que duplicou no mês passado, foi sustentado sobretudo pelos custos da energia, devido às fortes subidas do petróleo nos mercados internacionais.

A inflação na maior economia europeia aproximou-se, desta forma, da meta de 2% do BCE, aumentando os receios de que a autoridade monetária possa considerar a retirada antecipada dos estímulos à economia, uma decisão que penalizaria sobretudo os países do sul, como Portugal – onde os juros mais se agravam nesta altura.

Os dados sobre a inflação na Zona Euro – que os economistas estimam ter subido para 1% em Dezembro - serão conhecidos esta quarta-feira.





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