Conheça a oferta dos bancos que dão melhor juro a quem domiciliar salário

O Negócios analisou a oferta dos bancos para depósitos a prazo e o que pedem para dar melhores juros. Veja o resultado para oito instituições.
Montepio tem a taxa de juro mais elevada Entre os bancos que definem a remuneração do depósito em função da relação do cliente, o Montepio oferece o juro mais alto: 1,3%, em média, no prazo de 12 meses. Com um mínimo de investimento de cinco mil euros, o "Montepio 4D" obriga os clientes a terem pelo menos quatro produtos. Caso contrário, paga 0,25%, em média.
ActivoBank paga taxa de 1% O "Poupança Extra" do ActivoBank, com um prazo de 366 dias, também paga uma taxa de juro de 1%. Requer um mínimo de investimento de 3.000 euros e obriga os clientes a domiciliar o salário, ou a deter investimentos no valor mínimo de 7.500 euros ou pagamentos com cartão de crédito, entre outros. Caso contrário, a taxa desce para metade.
BIC define conjunto de produtos O "Depósito Plus" do BIC também define um mínimo de investimento de cinco mil euros. Com um prazo de 365 dias, oferece uma remuneração de 1,20%. Para isso, os clientes deverão deter cumulativamente produtos como cartão de débito, BancoBIC Net, documentos digitais e duas domiciliações de pagamento.
Bloomberg
Popular tem mínimo de 1.000 euros O Popular disponibiliza o "DP Bonificado Plus", um depósito a 12 meses, com um mínimo de investimento de mil euros e que paga uma TANB base de 0,250%. Esta taxa tem uma bonificação de 0,2% por cada produto detido pelo cliente (cartão de crédito, domiciliação do ordenado, entre outros).
CTT define duas condições O mais recente banco do mercado nacional, o Banco CTT, disponibiliza a "Conta Poupança Livre", que não tem prazo nem montante mínimo de investimento. Paga uma taxa de juro de 1% a quem domiciliar o vencimento a partir de 250 euros ou pagar três despesas através de débito directo. Caso contrário, é de 0,25%.
BCP permite reforços O BCP oferece o "Poupança Ordenado" que tem um prazo de 30 dias e vai sendo renovado, pelo que permite reforços. Paga uma taxa de juro de 0,10%. Para os clientes que constituam a conta na Intenet, a taxa aumenta em 0,05%. Nos meses em que o cliente não receber o vencimento aplica-se uma TANB de 0%.
Bruno Simão
Bankinter dá zero a quem não cumprir Para subscrever o "Depósito a Prazo Relação" do Bankinter, os clientes deverão aplicar, no mínimo 10.000 euros durante seis meses. Conseguem uma taxa de 1% se domiciliarem o vencimento, tiverem cartão de crédito, serviço de "homebanking", entre outros produtos. Caso contrário, não recebem nada.
Rafael Marchante/Reuters
Conta do BPI dá perto de zero O BPI disponibiliza dois depósitos o "DP Valor 4" e o "DP Valor 6", consoante o número de produtos exigidos (domiciliação de ordenado, seguro de vida, entre outros). O prazo vai de 180 a 365 dias e a remuneração depende do valor investido, mas é de quase 0%. Para quem investir 50 mil euros, a um ano, é de 0,05% ou 0,15%.
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Raquel Godinho 17 de setembro de 2016 às 10:00

"Quer aumentar a sua taxa? Use o seu ordenado". É o BCP quem o diz no seu site. Mas não é o único. Vários bancos nacionais têm vindo a comercializar depósitos a prazo com uma taxa de juro mais elevada para os clientes que aceitem aumentar o seu envolvimento. Ou seja, se domiciliar o ordenado, por exemplo, pode conseguir uma remuneração melhor.
Uma pesquisa pelos sites dos 19 bancos a operar no mercado nacional permite constatar que oito instituições oferecem actualmente depósitos com remuneração dependente do número de produtos subscritos. ActivoBank, BIC, BPI, BCP, Popular, Bankinter, Montepio e até o recente Banco CTT têm na sua oferta estes depósitos a prazo. "É uma tendência crescente", explica João Sousa, economista da Deco.
"Percebe-se que há apetite por taxas de juro mais altas e, por esse motivo, os bancos utilizam-nas como chamariz", adianta Filipe Garcia. Em Julho, o juro médio das novas aplicações a prazo para as famílias igualou o mínimo histórico de 0,40% atingido em Maio, de acordo com os dados divulgados pelo BCE. "Os clientes, ao terem de cumprir determinadas condições, acabam por dar ao banco alguma rentabilidade, que depois lhe ‘devolve’ sob a forma de depósitos", acrescenta o economista da IMF.
  
O Montepio é o banco que oferece a taxa de juro mais elevada. Nos 12 meses do depósito, o "Montepio 4D" paga uma remuneração média de 1,3%. Para a conseguir, os clientes devem susbcrever, pelo menos, quatro de um conjunto de produtos: conta montepio ordenado, cartão de débito, cartão de crédito, seguro de protecção da Lusitania/Lusitania Vida, serviço Montepio24 e pelo menos duas autorizações de pagamento. Caso contrário, contam com uma remuneração média de 0,25%.
Mas, em alguns casos, os clientes podem mesmo não receber remuneração, por não cumprirem as condições acordadas. É o que acontece no "Poupança Ordenado" do BCP, um depósito com um prazo de 30 dias, renovável automaticamente. Neste caso, a taxa anual nominal bruta (TANB) é de 0,10%, sendo de zero quando nos meses em que o cliente não domiciliar o salário.  E, no caso do Popular, à taxa de juro base de 0,250% acrescem 0,2% a cada novo produto subscrito pelos clientes.
"Esta questão acaba por ser negativa, na nossa opinião, pois os bancos tentam aliciar os clientes oferecendo rendimento numa conta em troca da subscrição de outros produtos que podem acarretar o pagamento de encargos, nomeadamente comissões", sublinha João Sousa. Nesse sentido, o economista da Deco alerta que os clientes devem "comparar as várias instituições para conseguir a melhor taxa".
Filipe Garcia sublinha que esta já era uma estratégia seguida pelos bancos, "o que muda é o chamariz. Por vezes trata-se de juros mais altos, outras vezes de devolução de compras com o cartão, vales de hotéis, redução de ‘spreads’ em crédito etc, mas o objectivo é sempre o mesmo: reforçar e concentrar o envolvimento". "Com a importância crescente do comissionamento nas receitas dos bancos, é fulcral atrair e reter o cliente de forma a que recorram aos serviços apenas desse banco", conclui o economista.

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