Economia DBRS "confortável" com rating de Portugal mas preocupada com agravamento de juros (act)

DBRS "confortável" com rating de Portugal mas preocupada com agravamento de juros (act)

A agência de notação financeira canadiana, a única que classifica a dívida de Portugal em nível de investimento, alertou esta sexta-feira para o elevado nível da dívida do país.
DBRS "confortável" com rating de Portugal mas preocupada com agravamento de juros (act)
Paulo Zacarias Gomes 12 de fevereiro de 2016 às 15:37

A agência canadiana de notação financeira, DBRS, mostrou-se esta sexta-feira, 12 de Fevereiro, "confortável" com a classificação atribuída à dívida portuguesa, alertando no entanto para a volatilidade nos mercados de dívida, cujo aumento recente nas taxas de juro em mercado secundário pode vir a dificultar as operações de refinanciamento.

"Neste momento, estamos confortáveis de que o nosso 'outlook' estável sobre Portugal é apropriado", disse Fergus McCormick, responsável pelo departamento de dívida soberana da DBRS, numa nota divulgada pela Reuters e a que o Negócios teve acesso.

Actualmente a agência classifica a dívida de curto prazo de Portugal em BBB (low), com 'outlook' "estável", sendo a única entre as quatro maiores agências de "rating" a considerar a dívida nacional na categoria de investimento.

No entanto, McCormick considera que a recente evolução dos juros da dívida portuguesa em mercado secundário – atingiram esta quinta-feira máximos de quase dois anos, superando a barreira dos 4% na maturidade a dez anos – é uma "preocupação" dada a necessidade de ir aos mercados para satisfazer o elevado valor de refinanciamento que o Tesouro tem pela frente.

"Se a volatilidade do mercado persistir, então a nossa atenção vai virar-se para a situação política e para aquilo que é possível fazer em termos de ajustamento orçamental", acrescenta o responsável. A agência tem calendarizada uma decisão sobre o rating de Portugal para 29 de Abril. 

Os analistas relacionaram o agravamento desta quinta-feira com receios de um eventual corte de rating por parte da DBRS - cuja notação permite a elegibilidade das obrigações portuguesas para o programa de compra de activos do Banco Central Europeu (BCE) - e com as reservas levantadas pelas instâncias europeias à proposta de Orçamento do Estado para 2016, que obrigaram o Governo de Lisboa a comprometer-se entretanto com mais medidas.

Os juros da dívida de Portugal, na maturidade a dez anos, chegaram a tocar os 4,4% na sessão de hoje, estando a aliviar desde o início da manhã. Às 15h50, minutos depois das declarações da DBRS, as 'yields' prosseguiam em recuo, caindo 28 pontos base para os 3,826%.

O IGCP, a agência que gere a dívida portuguesa, anunciou entretanto uma ida aos mercados, numa operação de curto prazo, para levantar entre 750 milhões e mil milhões de euros na próxima quarta-feira, 17 de Fevereiro, revisto em baixa em 250 milhões de euros em relação ao anunciado no início do ano. O leilão de bilhetes do Tesouro a três e 11 meses será o primeiro teste aos mercados depois do recente agravamento dos juros.

Dívida pública elevada deixa País "exposto a choques"

No comentário da DBRS, a agência aponta três riscos à implementação do Orçamento do Estado: a redução da despesa pode ser "desafiante" dada a ausência de tectos máximos de despesa; a melhoria do desempenho das empresas públicas prevista tem "consequências incertas"; e a possibilidade de PS, Bloco de Esquerda e PCP virem a entrar em desacordo quanto à aplicação das medidas.

 

Aquela entidade considera "ambiciosa" a meta de 2,2% do PIB para o défice orçamental deste ano prevista no Orçamento, enquanto classifica as perspectivas de crescimento (de 1,8% em 2016) de "modestas" e apoiadas no consumo interno.

Os desvios orçamentais continuam a ser "um risco", a dívida pública "continua elevada", o que deixa o País "exposto a choques", além de que persistem as responsabilidades contingentes, embora moderadas depois da reestruturação de empresas públicas e reforço dos rácios de capital da banca.

A venda do Novo Banco - nota - pode ajudar a reduzir a dívida, mas o "timing" dessa venda permanece incerto.

 

O ajustamento orçamental "modesto" e a "ausência de crescimento económico duradouro" podem ser um risco para "a melhoria sustentável das finanças públicas", aponta.

"A DBRS ficaria preocupada se os desvios orçamentais se tornassem persistentes [e se] (…) as perspectivas de crescimento não se materializassem", conclui a nota assinada também por Adriana Alvarado, analista principal da DBRS para Portugal.

(notícia actualizada às 17:26 com mais informação sobre o comentário da DBRS)



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