Taxas de juro Super Mario surpreende o mercado e corta taxa de juro para novo mínimo histórico de 0,05%

Super Mario surpreende o mercado e corta taxa de juro para novo mínimo histórico de 0,05%

Ao contrário do que os investidores antecipavam, o Banco Central Europeu baixou a taxa de juro directora para um novo mínimo histórico de 0,05%. Depois do tiro de partida dado em Jackson Hole, Mario Draghi anunciou mais medidas para estimular o crescimento da Zona Euro.
Super Mario surpreende o mercado e corta taxa de juro para novo mínimo histórico de 0,05%
Reuters
André Cabrita-Mendes 04 de setembro de 2014 às 12:48

Super Mario volta a surpreender tudo e todos e ameaça deixar os mercados de boca aberta durante muito tempo.

 

Após assegurar que iria fazer tudo para salvar o euro no Verão de 2012; depois de reduzir em Junho a taxa de juro do BCE para um mínimo histórico (0,15%); e pouco tempo depois de avisar que eram necessárias mais medidas para promover o crescimento da Zona Euro - o presidente do BCE voltou a reduzir a taxa de juro para um novo mínimo histórico.

 

O Conselho do Banco Central Europeu (BCE) reduziu esta quinta-feira, 4 de Setembro, a taxa de juro directora dos 0,15% para os 0,05%. Isto é, os bancos europeus passam assim a comprar dinheiro mais barato ao BCE, com o objectivo de injectar dinheiro no mercado e estimular a economia.

 

A decisão foi contra todas as expectativas dos analistas. Segundo uma estimativa da Bloomberg, apenas 6 de 57 economistas consultados esperavam uma redução. 

 

A baixa taxa de inflação, o arrefecimento económicos da Zona Euro e a taxa de desemprego da região terão sido dados que pesaram na decisão da comissão executiva do BCE e dos governadores dos bancos centrais do euro.

 

Recorde-se que o italiano entrou com o pé direito no BCE em Novembro de 2011. Nas duas primeiras reuniões que presidiu do Conselho do banco central, Draghi baixou consecutivamente a taxa directora herdada de Jean-Claude Trichet de 1,50% para 1,25% em Novembro e finalmente para 1% em Dezembro de 2011.

 

O BCE também reduziu as taxas de juros de depósitos para um valor negativo -0,20%, com os bancos agora a pagarem para depositar dinheiro nos cofres da instituição, de forma a evitar que os bancos parqueiem o dinheiro em Frankfurt.

A taxa da facilidade permanente de cedência de liquidez também foi reduzida dos 0,40% para os 0,30%, este é o juro que o BCE cobra aos bancos quando efectua empréstimos diários a estas instituições.

 

Tiro de partida foi dado em Jackson Hole

 

Esta é a primeira reunião de política monetária do Conselho do BCE após as declarações de Mario Draghi em Jackson Hole nos Estados Unidos -em Agosto durante a reunião de governadores de bancos centrais - onde garantiu que está disposto a usar mais medidas para estimular a economia da Zona Euro.


Nesse discurso, Mario Draghi sublinhou que "ajudaria se a política orçamental pudesse desempenhar um papel maior em conjunto com a política monetária, e eu acredito que há espaço para isso".

O líder do BCE também garantiu que está disposto a "usar todos os instrumentos disponíveis que forem necessários para assegurar a estabilidade dos preços no médio prazo".

 

Após estas declarações, a perspectiva da introdução de medidas de expansão monetária levou o euro a aliviar, as bolsas a valorizarem e os juros da dívida dos países do euro a caírem para mínimos.

As declarações de Mario Draghi não caíram bem na Alemanha, com o ministro das Finanças a vir a público colocar água na fervura e garantir que o banqueiro foi "mal interpretado".

 

A austeridade orçamental na Zona Euro provocou, inclusivamente, a remodelação do Governo francês, depois do ministro da Economia criticar a austeridade imposta pela Alemanha na Zona Euro. François Hollande optou por remover do Executivo críticos da conteção orçamental.

 

Economia da Zona Euro continua a arrefecer

Os dados económicos da Zona Euro têm dado razão a quem pede uma maior política de expansão monetária por parte do banco central. O motor da economia europeia, o produto interno bruto (PIB) contraiu 0,2% em cadeia, a primeira contração da Alemanha desde 2012.

Ao mesmo tempo, a segunda maior economia também abrandou, com França a estagnar no segundo trimestre; assim como Itália que registou uma quebra de 0,2% em cadeia durante este período.

Estes dados podem mudar as perspectivas económicas para este ano do banco central, que prevê um crescimento económico de 1% e uma inflação de 0,7% para a Zona Euro.

A baixa inflação é outro dos riscos que a Zona Euro corre, com vários analistas a alertarem para os riscos de deflação, a queda prolongada e contínua dos preços.

A taxa anual caiu para os 0,3% em Agosto, a partir dos 0,4% registados em Julho, segundo o Eurostat. No espaço de um ano, a inflação recuou de 1,3% para 0,3%, longe do objectivo do BCE de "manter a inflação abaixo, mas próxima de, 2%", disse Mario Draghi no início de Agosto.

Portugal registou, durante o mês de Julho, a segunda inflação anual mais baixa da moeda única, com uma taxa de -0,7%. Na Zona Euro, a Grécia foi único país a registar uma taxa mais baixa.

Banco central vai ligar as impressoras em Setembro

O banco central tomou recentemente várias decisões com o objectivo de aumentar a liquidez no mercado. Recorde-se que, antes da redução desta quinta-feira, a taxa de juro de referência do banco central já tinha sido reduzida em Junho para uma mínimo histórico de 0,15%.

Para Setembro e Dezembro está agendada a realização de duas injecções de liquidez a longo prazo - o programa TLTRO. O BCE pretende desta forma injectar 400 mil milhões de euros na economia europeia ao longo dos próximos quatro anos, para facilitar a concessão de crédito a particulares e a empresas por parte dos bancos.




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