Taxas de juro IGCP quer retalho a financiar mais de 10% do financiamento anual do Estado

IGCP quer retalho a financiar mais de 10% do financiamento anual do Estado

Cristina Casalinho considera que "com as alterações da oferta de instrumentos de captação de poupança" é difícil que os certificados voltem a contribuir com 20% das necessidades de financiamento anuais do Estado.
IGCP quer retalho a financiar mais de 10% do financiamento anual do Estado
Miguel Baltazar/Negócios
Negócios com Lusa 30 de dezembro de 2015 às 10:48

As famílias portuguesas aplicaram, este ano, 3.285 milhões de euros em títulos de dívida pública destinados para o retalho, ou seja, em certificados de aforro e Certificados do Tesouro Poupança Mais (CTPM). É uma quebra face a 2014. E representará menos de 10% das necessidades de financiamento de 2015 do Estado. Cristina Casalinho, presidente do IGCP, quer que o retalho possam contribuir com mais de 10%. E gostava de voltar aos 20%.


A responsável da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) diz, em entrevista à Lusa, que o objectivo é que "o contributo [destes produtos de retalho] para o financiamento total em cada ano seja entre um e os dois mil milhões", o que equivaleria a "mais ou menos 10%" do total da dívida do Estado.


"É claro que gostaríamos de retornar a valores mais próximos dos 20% do passado mas, com as alterações da oferta de instrumentos de captação de poupança, parece-nos bastante mais difícil regressar a esses patamares", disse Cristina Casalinho, reiterando que "qualquer coisa acima de 10% parece saudável". Actualmente, o IGCP comercializa os certificados de aforro que dão cerca de 0,9% e os CTPM com uma taxa média anual de 2,25%.


"Abaixo dessa proporção é que significa que Portugal fica muito abaixo dos patamares habituais do contributo do retalho para o financiamento, pelo menos dos países periféricos", destacou, reiterando que, em 2015, o contributo dos certificados para o financiamento do Estado Português ficará abaixo mas próximo dos 10%. É metade do valor de 1998, quando chegava a 20%.


"Vamos acabar o ano com 9%, bastante próximos dos 10%", acrescentou. Até ao final de Novembro tinham sido subscritos 3.285 milhões de euros nos dois produtos, com os CTPM a captarem a maior "fatia": 2.654 milhões. "Acreditamos que, para o ano, se fizermos os dois mil milhões ou um pouco acima, podemos lentamente atingir os 10%", antecipa Cristina Casalinho.


"Continuamos a pretender alargar a oferta de produtos de retalho e ampliar a base de investidores, buscando, por exemplo, novos canais de distribuição", afirmou a presidente do IGCP ao Público quando questionada sobre as Obrigações do Tesouro de Rendimento Variável (OTRV). O lançamento deste novo produto está a "a aguardar as melhores condições de mercado", disse.




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