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Juros a dez anos registam maior subida em oito meses

Numa sessão marcada pelo regresso da turbulência aos mercados de dívida, as obrigações portuguesas são das que mais sofrem. Os juros da dívida a 10 anos registam a maior subida em oito meses, enquanto o prémio de risco supera os 300 pontos base pela primeira vez desde Março de 2014.

Miguel Baltazar/Negócios
Rui Barroso ruibarroso@negocios.pt 08 de Fevereiro de 2016 às 15:42
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A taxa exigida pelos investidores para deter obrigações portuguesas a dez anos não pára de aumentar no decurso da sessão desta segunda-feira. A "yield" exigida é de 3,385%, o valor mais alto desde Outubro de 2014. A taxa sobe esta segunda-feira 25,3 pontos base, a maior subida diária desde Junho do ano passado. Esta tendência também se verifica nas obrigações de outros países do sul da Europa, com as "yields" espanholas a subirem 13,9 pontos base para 1,781% e as italianas 15,5 pontos base para 1,71%.

"O tema do alargamento dos prémios de risco chegou aos mercados de dívida soberana", observaram os analistas do RBC Capital Markets, numa nota de investimento a que o Negócios teve acesso. "Sublinhámos em muitas ocasiões que o stress no sistema financeiro está a aumentar. Apesar de isso já ser evidente no comportamento do mercado accionista, pensamos que mais importante são os alargamentos dos prémios de risco nos mercados de taxa fixa".

Os investidores estão a procurar refúgio na dívida alemã, com a taxa germânica a descer de 0,296% para 0,234%. O prémio de risco da dívida portuguesa face à alemã superou os 300 pontos base pela primeira vez desde Março de 2014. Situa-se agora em 316,8 pontos base. No final da semana passada era de 283,7 pontos.

"O risco particular associado à preocupação sobre o novo governo de esquerda pode levar a um 'downgrade' da DBRS tornando o País inelegível para as compras do BCE, o que faria de Portugal um caso especial", consideraram esta segunda-feira os analistas do Rabobank, numa nota de investimento a que o Negócios teve acesso. A avaliação do banco holandês para a dívida portuguesa é de um diferencial entre 170 a 230 pontos base face à dívida alemã, bastante abaixo do registado esta segunda-feira.

A DBRS, a agência canadiana de notação de risco, avisou na semana passada que uma eventual falta de entendimento entre Portugal e Bruxelas em relação ao Orçamento ameaçaria o "rating" português. No entanto, no final da semana passada a Comissão Europeia não chegou a recusar o OE, apesar de ter deixado alguns avisos

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