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Juros a dez anos voltam a subir e superam 3,8%

A taxa das obrigações portuguesas não pára de subir. Esta quinta-feira, o valor exigido pelos investidores sobe mais de 17 pontos base para 3,883%.

Rui Barroso ruibarroso@negocios.pt 11 de Fevereiro de 2016 às 08:33
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Os juros implícitos das obrigações portuguesas sobem pelo sexto dia consecutivo. A taxa exigida pelos investidores para deter obrigações portuguesas a dez anos aumenta 17 pontos base para 3,883%, o valor mais alto desde Agosto de 2014. O prémio de risco também não pára de aumentar, com o mercado a exigir mais 371 pontos base para deter dívida portuguesa em vez de alemã, o maior diferencial desde o início de 2014, ainda o país estava sob o programa de resgate.

A subida das taxas portuguesas ocorre numa altura em que os mercados financeiros têm sido atingidos por forte volatilidade e em que têm surgido alertas sobre a evolução da dívida portuguesa. O Commerzbank, por exemplo, espera que as obrigações portuguesas venham a ser pressionadas nas próximas semanas por possíveis comentários negativos da S&P e da Fitch ao Orçamento do Estado para este ano.

A causar ainda maior apreensão está o risco da DBRS, a única agência que classifica Portugal acima de "lixo", baixar o "rating" no final de Abril, o que retiraria a elegibilidade da dívida portuguesa para o programa de compras do BCE. "A inversão do novo Governo em relação às reformas e os seus planos para abrandarem de forma significativa o caminho da redução do défice orçamental deixam as obrigações portuguesas em risco de fraqueza adicional", referiu o Commerzbank numa nota de investimento.

Esta quinta-feira, as taxas das obrigações espanholas e italianas também estão a subir. No caso da dívida espanhola, na maturidade a dez anos a "yield" sobe 2,8 pontos base para 1,75%. Já nos títulos italianos, o aumento é de 3,1 pontos para 1,67%. Desde o início da semana as taxas espanhola e italiana aumentam 11,6 e 12 pontos base, respectivamente. Já a "yield" portuguesa dispara 75 pontos base no mesmo período.

A dívida portuguesa está ainda a ser penalizada por uma preocupação generalizada de que os bancos centrais consigam travar as ondas de choque nos mercados. "Em relação aos prémios de risco, continuamos preocupados que a perda de confiança do mercado na capacidade dos bancos centrais em fortalecer os activos de risco possa levar a mais agravamentos", consideraram esta quinta-feira os analistas do Rabobank, numa nota de investimento.  


(Notícia actualizada às 8:56 com novas cotações das obrigações e com valores das taxas a dez anos de Espanha e Itália)

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