Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

Juros da dívida em alta há quatro sessões condicionados pelo BCE e Europeias

"Yields" das obrigações dos países periféricos continuam a agravar-se, com os investidores a temerem os resultados das eleições europeias e que o BCE não avance já com mais medidas não convencionais.

Nuno Carregueiro nc@negocios.pt 20 de Maio de 2014 às 10:10
  • Partilhar artigo
  • 26
  • ...

Os juros da dívida pública portuguesa estão em alta pela quarta sessão consecutiva e em máximos de mais de um mês, acompanhando o movimento de alta que se verifica nos restantes periféricos.

 

A "yield" das obrigações do Tesouro a 10 anos agrava-se em 3 pontos base para 3,89%, o que representa o valor mais elevado desde 15 de Abril. Este mês atingiram um mínimo desde 2006 abaixo de 3,5%.

 

No prazo a 5 anos o juro avança 6 pontos base para 2,82%, um máximo desde 4 de Abril. No prazo mais curto de dois anos o aumento é de 2 pontos para 1,44%.

 

Em Itália os juros da dívida a 10 anos sobe 5 pontos base para 3,19% e em Espanha a subida é de 2 pontos base para 2,94%.

 

Depois das quedas acentuadas nos primeiros meses do ano para mínimos, os juros dos países periféricos têm apresentado uma tendência inversa nas últimas sessões. Os receios de instabilidade política na Grécia, a incerteza com os resultados das eleições europeias e a expectativa quanto à próxima reunião do BCE justificam a tendência.

 

Os investidores estão a aproveitar para realizar mais-valias na dívida dos periféricos antes de serem conhecidos os resultados das eleições europeias do próximo fim-de-semana, que podem ditar instabilidade política em várias regiões europeias. A Grécia é um dos países onde se teme uma crise política, pois os partidos que apoiam a coligação governamental podem sofrer uma derrota pesada nas eleições.

 

"Os investidores estão a adoptar uma postura mais prudente antes das eleições", comentou ontem à Bloomberg Felix Herrmann, do DZ Bank, acrescentando que "esta tendência de subida das ‘yields’ não deve durar muito, pois todos esperam que o BCE implemente medidas não convencionais".

 

Contudo as expectativas sobre o que vai fazer o BCE sofreram hoje algumas alterações. Ewald Nowotny, membro do Conselho de Governadores da autoridade monetária, alertou que fixar a taxa de juro dos depósitos em valores negativos é uma medida que "tem que ser discutida minuciosamente".

 

A maioria dos economistas espera que o BCE, na reunião do início de Junho, reduza a taxa de juro de referência da Zona Euro para valores entre 0,1% e 0,15%.

 

Caso a autoridade monetária avance com a descida de juros e outras medidas não convencionais, o impacto nos juros da dívida pública dos países periféricos será positivo.

Ver comentários
Saber mais juros dívida pública Grécia BCE Ewald Nowotny
Outras Notícias