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Juros da dívida sobem em toda a periferia a reflectir receios em torno da Grécia

As taxas de juros dos países da periferia da Zona Euro estão em alta no mercado secundário, devido aos receios dos investidores face ao novo Governo grego, e depois de a S&P ter ameaçado cortar o rating da dívida do país.

Portugal, Espanha e Itália recordados na manifestação de Atenas
Rita Faria afaria@negocios.pt 29 de Janeiro de 2015 às 10:37
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Os receios em torno da situação política na Grécia continuam a ter impacto nos mercados de dívida de toda a periferia do euro.

 

Ontem, poucas horas depois de Alexis Tsipras ter apresentado as primeiras medidas do seu Executivo, a agência de notação financeira Standard & Poor’s ameaçou cortar o rating da dívida soberana do país. A agência considera que as "medidas defendidas pelo novo Executivo são incompatíveis com a política acordada entre os anteriores executivos e os credores oficiais".

 

As consequências não tardaram no mercado. Esta quinta-feira, os juros da dívida grega a dez anos disparam 69,7 pontos base para 11,037%, o valor mais alto desde Setembro de 2013.

 

Mas a tendência de agravamento estende-se aos restantes países da periferia da Zona Euro. No caso de Portugal, a "yield" associada à dívida a dois anos sobe 1,6 pontos base para 0,349%, enquanto a cinco anos o avanço é de 4,6 pontos base para 1,662%. No prazo de referência – na maturidade a dez anos – os juros sobem seis pontos base para 2,647%.

 

Além dos juros, também o risco de Portugal, medido através da diferença entre a taxa pedida pelos investidores na negociação de dívida alemã e portuguesa, está em alta, situando-se nos 227 pontos.

 

Este aumento do "spread" é explicado pela subida dos juros da dívida portuguesa e hoje, simultaneamente, pelo movimento contrário da dívida alemã. Os juros da dívida germânica estão esta quinta-feira em queda, com a "yield" associada à dívida a dez anos a cair 0,2 pontos base para 0,351%.

 

A dívida da Alemanha contraria, assim, a tendência dos países periféricos, num movimento frequente explicado pelo facto de ser considerado um investimento de refúgio para os investidores – embora ofereça rendibilidades mais baixas, é considerada uma aposta menos arriscada.

 

Em Espanha, os juros associados à dívida a dez anos avançam 6,5 pontos base e em Itália, no mesmo prazo, o agravamento é de 5,6 pontos base para 1,647%.

 

O Syriza venceu as eleições legislativas do último domingo, 25 de Janeiro, na Grécia. Com uma orientação de esquerda radical, este partido mostra-se contra as políticas de austeridade, que vigoraram no país nos últimos anos.

 

Uma das principais bandeiras do Syriza é o perdão da dívida grega, que supera 170% do PIB, mesmo depois de os privados terem, em 2012, renunciado a reclamar mais de 60% do valor dos títulos em sua posse. Ainda que a Europa possa estar disponível para aliviar a factura grega, um perdão de dívida não deverá ter lugar. Ainda esta terça-feira, 27 de Janeiro, o ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble, deixou claro que uma renegociação do valor nominal da dívida grega está fora de questão.

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