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Mais de 85% dos depósitos tinham juro abaixo de 1% em 2015

Os depósitos simples pagam cada vez menos e a procura por depósitos indexados e duais aumentou, revela um relatório do Banco de Portugal divulgado esta terça-feira.

Bloomberg
Rui Barroso ruibarroso@negocios.pt 26 de Julho de 2016 às 12:15
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Encontrar depósitos com juros acima de 1% é cada vez mais difícil. No final de 2015, 86% dos depósitos simples disponíveis no mercado tinham uma remuneração abaixo daquele valor, segundo dados do Banco de Portugal divulgados esta terça-feira, 26 de Julho, no Relatório de Acompanhamento dos Mercados Bancários de Retalho. Em 2014, a proporção de depósitos a pagar menos de 1% era de 59%.

A tendência é para a proporção de depósitos a pagar menos de 1% ter crescido ao longo de 2016, dada a continuação da descida das taxas Euribor. O indexante a três meses, por exemplo, desce de –0,158% para –0,297% desde o início do ano. Para compensar a quebra na remuneração oferecida nos depósitos, os bancos tornaram-se mais flexíveis nas características destes produtos.

"Num contexto de taxas de remuneração mais baixas, aumentou o peso dos depósitos simples com condições de constituição e de mobilização antecipada mais flexíveis", refere o Banco de Portugal. Realça que "a proporção de depósitos com um montante mínimo de constituição mais baixo (até 150 euros, inclusive) aumentou em 2015".

Um terço da oferta dirigida a reformados e emigrantes

Além dos menores valores de constituição, os bancos tornaram-se também mais flexíveis na mobilização antecipada. "Aumentou a proporção de depósitos a prazo simples que permitem mobilizar antecipadamente os fundos aplicados, implicando um menor risco de liquidez para o cliente", refere o relatório. Mas isso também chegou com custos, já que também "aumentou a proporção de depósitos em que a mobilização antecipada passou a ter a penalização total dos juros corridos".

Outra das estratégias dos bancos para captarem depósitos foi a oferta de aplicações destinadas a determinados grupos de clientes, como emigrantes e reformados, por exemplo. Segundo o Banco de Portugal "estes depósitos tiveram um peso significativo no total da oferta das instituições de crédito, correspondendo, no final de 2015, a cerca de um terço da oferta de depósitos a prazo simples".

Depósitos duais e indexados continuam a crescer

A baixa rentabilidade dos depósitos simples ajudou a que os depósitos duais e indexados continuassem a crescer. "Em 2015, o mercado de depósitos indexados e duais continuou a crescer, tendo captado cerca de 5,5 mil milhões de euros, mais 24% do que no ano anterior", revela o supervisor.

E a entidade liderada por Carlos Costa detalha que "no final do ano, estavam aplicados neste tipo de depósitos 10,4 mil milhões de euros, mais 44% do que no ano anterior, o que representava 10% do montante total aplicado por clientes bancários particulares em depósitos a prazo".

Os depósitos indexados têm uma remuneração dependente de outros instrumentos financeiros e os depósitos duais consistem na comercialização conjunta de dois ou mais depósitos bancários, que podem ser simples ou indexados.

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