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Natixis recomenda aposta na descida das obrigações portuguesas

O banco de investimento considera que existe o risco de instabilidade política e mostra-se preocupado com a decisão da DBRS sobre o ‘rating’ de Portugal.

Miguel Baltazar/Negócios
Rui Barroso ruibarroso@negocios.pt 20 de Janeiro de 2016 às 13:46
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Os analistas do Natixis recomendaram aos seus clientes a aposta na descida do valor das obrigações portuguesas. "A instabilidade política – combinada com a possível perda de elegibilidade para o programa de compra de activos do sector público – é, na nossa perspectiva, uma bomba relógio", referem os especialistas do banco numa nota de investimento a que o Negócios teve acesso.

Uma das principais preocupações é sobre qual será a decisão da DBRS sobre o ‘rating’ da República. A agência canadiana é a única considerada pelo BCE que classifica Portugal em nível de investimento. Caso desça a notação, a inclusão das obrigações portuguesas no programa de compras do BCE fica ameaçada.

Os analistas do banco realçam ainda que a situação política continuará incerta em 2016. "Na nossa opinião, não é certo que o Governo minoritário sobreviva durante toda a legislatura". Justificam que "há desacordo sobre muitas questões entre os partidos que apoiam o Governo", exemplificando com as divergências sobre o orçamento rectificativo para acomodar as perdas com o Banif.

O Natixis entende que o principal teste ao acordo entre o Governo e os partidos mais à esquerda poderá ocorrer na preparação do orçamento do Estado de 2017, na segunda metade deste ano.

Incerteza sobre reacção dos investidores

O banco de investimento entende que "apesar da retirada da incerteza sobre a indigitação do primeiro-ministro ter sido bem recebida no curto prazo, os impactos das políticas seguidas nas finanças públicas podem levar a uma deterioração da confiança dos investidores e da percepção de risco das agências de rating".

O Natixis salienta que "mesmo que alguns destes riscos estejam parcialmente reflectidos nos preços das obrigações, a ausência do BCE como comprador de último recurso significaria que não haveria limite no prémio de risco. As taxas portuguesas poderiam, assim, disparar com a pressão a atingir todas as maturidades".

Tendo em conta estes riscos e as taxas baixas com que as obrigações portuguesas negoceiam, "a escolha de obrigações italiana e espanholas parece ser muito mais atractiva". E indicam que nas obrigações portuguesas "as melhores posições curtas no pior cenário, que infelizmente é provável, são no segmento de entre dois a cinco anos".

Natixis dá uma hipótese à dívida grega

Entre algumas das tácticas dadas aos investidores estão a aposta na subida das obrigações italianas a cinco anos e, em simultâneo, o posicionamento para lucrar com a descida dos títulos portugueses a três anos. Outra das recomendações é ganhar exposição a um aumento da pressão sobre a linha de obrigações do Tesouro portuguesas que vence em Junho de 2018.

O Natixis recomenda ainda comprar obrigações gregas a três anos ao mesmo tempo que sugere a aposta na descida do valor dos títulos portugueses com a mesma maturidade, uma recomendação que o próprio banco considera como muito arriscada.

No entanto, os analistas consideram que no caso de haver um acordo para aliviar a dívida grega, os títulos helénicos poderá ter o melhor desempenho do ano. Já as obrigações portuguesas de prazos mais curtos têm, segundo o Natixis, a probabilidade de serem as que mais irão sofrer este ano. 

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