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Portugal contrata bancos para emissão a 10 anos

O IGCP contratou seis bancos para gerirem uma emissão de obrigações do Tesouro com prazo a 10 anos, disseram fontes à Bloomberg. Operação é para avançar "no futuro próximo".

Bruno Simão/Negócios
Edgar Caetano edgarcaetano@negocios.pt 06 de Maio de 2013 às 16:37
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CaixaBI, Citi, Crédit Agricole, Goldman Sachs, HSBC e Société Générale vão ser os gestores da emissão de dívida que terá maturidade em Fevereiro de 2024, quase 11 anos, mas que passará a ser a nova linha "benchmark" a 10 anos.

 

Será este o sindicato bancário em que será apoiada a emissão, seguindo o modelo que já tinha sido adiantado pelos responsáveis do IGCP e do Tesouro.

 

A agência Bloomberg cita fontes próximas do processo que dizem que a operação "será lançada no futuro próximo, sujeito a condições de mercado". A julgar pelo alívio das taxas de mercado de Portugal nos últimos dias, o sindicato bancário poderá encontrar receptividade para avançar já nos próximos dias com a operação.

 

Emissão depois de anúncio de mais medidas

 

A decisão de avançar com esta emissão 10 anos surge no primeiro dia útil depois do primeiro-ministro ter anunciado medidas de austeridade no valor de 4,8 mil milhões, para serem implementadas até 2015.

 

O fecho da sétima avaliação ao programa de ajustamento de Portugal está dependente da apresentação destas medidas, sendo que a troika regressa esta terça-feira a Lisboa precisamente para avaliar estas medidas.

 

Caso se concretize amanhã a emissão, esta decorrerá no preciso dia em que a troika iniciará nova ronda de negociações com o Governo português.   

 

Depois de ter realizado uma emissão de longo prazo pela primeira vez em Janeiro, com o leilão de dívida a 5 anos, Portugal tinha como objectivo de curto prazo avançar com esta emissão a 10 anos, de modo a cumprir um dos requisitos exigidos pelo Banco Central Europeu, para no futuro fazer intervenções no mercado secundário para atenuar os custos de financiamento de Portugal.

 

Em declarações ao Negócios a 15 de Abril, o Ministro das Finanças tinha afirmado que “o processo de regresso ao financiamento pleno de mercado inclui uma emissão de dívida a 10 anos, na medida em que essa maturidade é o "benchmark" mais relevante dos emitentes soberanos”, sendo que “a decisão de emitir a 10 anos será tomada em função da evolução das condições de mercado, sem que exista pressão imediata ou um calendário pré-definido”.

 

Portugal acaba assim por seguir os passos da Irlanda, que já efectuou esta emissão a 10 anos. Ambos os países receberam luz-verde dos ministros das Finanças da União Europeia para que as maturidades dos empréstimos europeus sejam estendidos, sendo que no caso de Portugal o “ok” está condicionado ao desfecho positivo da sétima avaliação.  

 

Juros descem no mercado secundário

 

Esta segunda-feira foi de novo um dia positivo para a dívida portuguesa no mercado secundário, com os juros da dívida com o prazo de 10 anos a fixarem novos mínimos desde 2010.

 

As rendibilidades pedidas pelos investidores quando negociam obrigações nacionais a dez anos estão a recuar 4,9 pontos base para se fixarem nos 5,45%, aquela que é a taxa mais baixa desde Setembro de 2010, segundo as taxas genéricas compiladas pela agência Bloomberg. Caso Portugal consiga obter financiamento às taxas de juro de mercado, pagará em redor de 5,5% para se financiar a 10 anos.

 

A taxa de juro implícita às obrigações portuguesas a cinco anos está a descer 1,1 pontos base no mercado secundário para os 4,16%, também a taxa mais reduzida desde Outubro de 2010, os valores em torno dos quais tem estado a evoluir nas últimas sessões.

 

   

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