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Portugal sentirá o stress no primeiro leilão de bilhetes do Tesouro?

O IGCP pretende encaixar até 1,5 mil milhões de euros esta quarta-feira, num leilão de bilhetes do Tesouro a seis e a 12 meses. Apesar da tensão nos mercados, os analistas acreditam numa taxa baixa.

Miguel Baltazar/Negócios
Rui Barroso ruibarroso@negocios.pt 20 de Janeiro de 2016 às 07:00
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O IGCP regressa esta quarta-feira aos mercados. Após ter conseguido colocar quatro mil milhões de euros em obrigações do Tesouro a 10 anos numa emissão sindicada feita na passada quinta-feira, 14 de Janeiro, tenta agora obter entre 1,25 mil milhões e 1,5 mil milhões de euros com a venda de bilhetes do Tesouro a seis e a 12 meses. Isto numa altura em que os investidores estão de pé atrás relativamente a Portugal.

Será o primeiro leilão de bilhetes do Tesouro deste tipo em 2016. E ocorre numa fase em que há investidores e analistas a lançarem alertas sobre Portugal, o que se tem reflectido na subida das taxas de juro no mercado. No entanto, apesar da turbulência que o mercado nacional tem vivido nas últimas sessões e do aumento do prémio de risco da dívida portuguesa, não se antecipam grandes dificuldades na concretização desta operação.

"Espero que, se houver subida de taxas, ela seja muito marginal", antecipa o director de gestão de activos do Banco Carregosa, Filipe Silva, ao Negócios. Acrescenta que a "dívida pública portuguesa está, para já, protegida pelo Banco Central Europeu que assegura a compra de obrigações do Tesouro, beneficiando indirectamente os bilhetes do Tesouro".

Os bilhetes do Tesouro também são vistos como menos arriscados que as obrigações do Tesouro já que têm prazos mais curtos. E, além disso, recorda-se que no caso da Grécia, por exemplo, aquele tipo de instrumento ficou fora da reestruturação de dívida, contrariamente ao que aconteceu às obrigações do Tesouro.

A linha de bilhetes do Tesouro a seis meses que será reaberta no leilão transacciona em valores negativos. No mercado secundário, que serve como um barómetro para quanto os investidores exigirão em operações de financiamento, a taxa desses instrumentos é de -0,006%. Já na maturidade mais longa será o lançamento de uma nova linha.

Nas últimas operações comparáveis, Portugal obteve, em Dezembro de 2015, uma taxa de 0,03% para se financiar a 11 meses. Na maturidade a seis meses, o Tesouro conseguiu um juro de -0,018% num leilão realizado em Novembro.

Montante superior

O montante indicativo do leilão desta semana, revelado no final da semana passada, até é maior do que o inicialmente previsto no programa de financiamento do IGCP, que indicava um objectivo de entre mil milhões e 1,25 mil milhões para esta operação. Apesar disso, Filipe Silva não antevê "problemas na procura".

O IGCP prevê três operações de financiamento de curto prazo no primeiro trimestre. No entanto, o valor angariado através destes instrumentos deverá servir para refinanciar outras linhas de bilhetes do Tesouro que atinjam a maturidade. Isto porque no plano para este ano, a entidade liderada por Cristina Casalinho espera que "o financiamento líquido resultante da emissão de bilhetes do Tesouro resultará num impacto nulo".

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