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Risco de Portugal face à Alemanha no valor mais alto desde Março de 2014

As taxas das obrigações portuguesas, italianas e espanholas disparam, com a instabilidade das bolsas a propagar-se aos mercados de dívida.

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Rui Barroso ruibarroso@negocios.pt 08 de Fevereiro de 2016 às 11:20
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A instabilidade nos mercados accionistas está a propagar-se aos mercados de dívida. A taxa das obrigações portuguesas a dez anos sobe esta segunda-feira de 3,132% para 3,272%, o valor mais alto desde Outubro de 2014. Já a dívida alemã está a servir de refúgio, com a taxa a dez anos dos títulos germânicos a descer de 0,296% para 0,253%. "O tema do alargamento dos prémios de risco chegou aos mercados de dívida soberana", observaram os analistas do RBC Capital Markets, numa nota de investimento a que o Negócios teve acesso.

O prémio de risco exigido pelo mercado para deter dívida portuguesa a dez anos em vez de títulos germânicos com a mesma maturidade ultrapassou os 300 pontos base. Desde Março de 2014 que o "spread" não era tão elevado. Também as taxas das obrigações espanholas e italianas estão a subir. No caso dos títulos espanhóis a dez anos, o aumento de é de 1,642% para 1,702%. Para as obrigações italianas o valor exigido sobe de 1,555% para 1,606%.

"Sublinhámos em muitas ocasiões que o stress no sistema financeiro está a aumentar. Apesar de isso já ser evidente no comportamento do mercado accionista, pensamos que mais importante são os alargamentos dos prémios de risco nos mercados de taxa fixa", referiram os analistas do RBC Capital Markets.

Ressalvam que apesar dos prémios de risco serem elevados, isso se deve também à descida das taxas exigidas à Alemanha, observando que em termos absolutos as taxas exigidas a países como Espanha e Itália ainda são baixas. Mas receiam que caso esta tendência se mantenha "os custos de financiamento para os países do Sul da Europa tornar-se-ão mais caros", o que colocaria pressão na recuperação económica e contrariaria os objectivos que o BCE tenta atingir.

No caso da dívida portuguesa, desde o início do ano têm surgido avisos de analistas a recomendar cautela. Alguns bancos de investimento antecipavam que até Abril, mês em que a DBRS se manifestará sobre o "rating" de Portugal, as obrigações nacionais poderiam sofrer pressão do mercado. E mostraram receios que a agência canadiana, a única seguida pelo BCE que tem uma classificação de grau de investimento, poderia cortar a notação de Portugal.

Também a troika lançou alertas sobre o risco de reacções adversas do mercado e as agências de rating também mostraram dúvidas em relação à evolução das contas públicas portuguesas

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