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Prodsmart encaixa mais 100 mil euros para consolidar mercados

No próximo ano, os Estados Unidos são a meta da startup vencedora do prémio do Caixa Empreender Award, onde se apresentou já o próximo Web Summit de Lisboa.

05 de Fevereiro de 2016 às 11:00

Não fosse a viagem marcada para Munique, para o dia seguinte, bem que Gonçalo Fortes até poderia celebrar com um jantar no seu Alentejo. A Taberna Típica Quarta Feira, em Évora, seria uma provável hipótese. Radiante, mas "muito nervoso", o engenheiro informático de 35 anos foi o contemplado com o desejado investimento adicional - atribuído nesta 2ª edição do Caixa Empreender Award. Uma iniciativa que reuniu centenas de participantes, na Culturgest, em Lisboa.

Já em Janeiro, a Prodsmart conquistara outro cheque de 100 mil euros, da Caixa Capital, ao vencer o Startup Lisboa Boost, precisamente o acelerador criado pelo fundo de capital de risco do grupo CGD.

Filho de industriais de eletromecânica, com uma unidade em Arraiolos, fornecedora da Tyco Electronics, em Évora, aí, Gonçalo passou na adolescência por "moço de recados"; depois, distribuidor; mais tarde, criador de "soluções informáticas para a empresa"; até que, em 2012, revolucionou "um projeto de consultoria típico" e criou a infraestrutura tecnológica da Prodsmart.

Trata-se, nas palavras do jovem CEO, de "um sistema de gestão da produção para empresas de manufatura, que permite saber em tempo real tudo o que está a acontecer no chão de fábrica, com recurso a aparelhos móveis, tablets e smartphones".

Conclusão: o sistema "permite reduzir o desperdício na ordem dos 75 a 80 por cento e aumentar a eficiência na ordem dos 20 por cento". Permite "saber o que está a acontecer na linha de produção, sem lá ir ou mesmo sem estar na mesma localização física".

"Acabar com o papel, transformando qualquer linha de produção numa digital factory e posteriormente numa smart factory" é já hoje uma realidade que envolve 1500 pessoas, nalgumas dezenas de empresas que usam a plataforma da Prodsmart, em Portugal e na Alemanha.

"Consolidar estes dois mercados" é o destino dos 100 mil euros conquistados. Depois da Alemanha - onde o parceiro atual é "a Festo, um gigante da automação industrial, com 300 mil clientes" - a startup pretende "dar o passo para o Reino Unido", ainda em 2016, tendo os Estados Unidos como "um objetivo para o ano que vem".

Ao nível do desenvolvimento tecnológico, há ainda a ideia de "acabar com os stocks no planeta e transformar a produção numa barra de download". Ou seja, alargar o sistema de forma a "quebrar as fronteiras de uma fábrica, criando um macroprocesso com todas as unidades envolvidas. Se uma delas se atrasa, as que estão à espera podem ajustar o seu processo produtivo".

Aos 100 mil euros do Caixa Empreender Award, concorreram seis outras startups, num evento que decorreu "acima das expectativas, com a participação de cerca de 800 pessoas e mais de 20 fundos internacionais", no balanço feito ao Negócios em Rede por Stephan Morais.

Para o administrador da Caixa Capital, a afluência e a dinâmica registadas são sinal que "Portugal está ser reconhecido como um centro de inovação. É um progresso fenomenal, já que antes, Lisboa não estava em ranking nenhum. Como já me disseram, isto é Berlim de há três ou quatro anos, mas com tecnologia a sério".

A imagem do dinamismo e empreendedorismo da capital alemã foi aliás um dos sinais que levou o irlandês Paddy Cosgrave a apostar na realização do Web Summit, em Lisboa, no próximo mês de Novembro. Valeu o recado do seu irmão, como contou no Caixa Empreender Award, ao dizer-lhe ter descoberto "uma versão de Berlim com muito melhor clima".

Acresceram os milhares de mensagens via Facebook, Twitter e outros canais digitais que então recebeu de portugueses. Lisboa acabou por ser selecionada para acolher durante três anos, o Web Summit, a conferência tecnológica que é um dos mais marcantes eventos de congregação de startups.

O sucesso da iniciativa perspetiva-se, a avaliar pelas palavras do CEO do Web Summit: "com a presença de mais de mil jornalistas, eles verão um outro lado de Portugal. Se o mundo ainda não sabe o suficiente sobre Lisboa, vai passar a saber muito mais".

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