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Economia mundial influencia desempenho das empresas

Como num jogo de xadrez, a força ou a fraqueza da economia do planeta faz-se sentir no nosso país e terá grande influência na estratégia das PME em 2022.

12 de Janeiro de 2022 às 12:10

Num mundo cada vez mais global e que não conhece fronteiras, quando algo acontece do outro lado do mundo, o impacto acaba por se fazer sentir também no mercado nacional. A esta realidade não são, de todo, alheias as PME nacionais que têm vindo a sofrer os efeitos negativos da pandemia.

 

Importa por isso perceber em que medida o cenário económico mundial poderá influenciar a caminhada das PME nacionais em 2022. Bruno Borges, CEO da iServices, lembra que "o fim dos problemas nas cadeias globais de abastecimento ainda está distante e a falta de matérias-primas, tal como as subidas acentuadas dos preços de materiais, energia, transportes e mão de obra, resulta numa grande incógnita que se irá prolongar ao longo de todo o ano 2022".

 

No que respeita à problemática das cadeias de abastecimento globais, Bruno Borges considera importante olhar-se para a situação em que se encontra o transporte marítimo, "com os preços a aumentar exponencialmente, falta de contentores, mercadorias retidas em portos por falta de ligações e longos atrasos na receção de encomendas e matérias-primas". Todo este descontrolo nas cadeias logísticas acaba por ter um efeito dominó na economia e na sociedade. Ainda assim, este responsável diz acreditar que as empresas portuguesas que possuem uma boa saúde financeira vão ter capacidade de se abastecer de uma forma inteligente ao longo de 2022.

 

Por outro lado, importa ainda destacar para este ano a importância de sermos "autossustentáveis do ponto de vista energético com recurso a energias renováveis, seja do ponto de vista das frotas ou das instalações que são utilizadas no método produtivo". Em 2022, a questão deixa de ser somente ecológica, diz Bruno Borges, "e passa a ser também uma forma de prevenir aumentos inesperados da fatura energética".

Luís Cardoso, professor do ISEG, acredita que o cenário mundial impacta as PME nacionais "em grande medida" começando desde logo pelas "dificuldades na aquisição de matéria-prima, a inflação dos preços de transporte de mercadorias e a instabilidade dos mercados financeiros, fruto do contexto que se vive". Situações que "tornam complexa a gestão das PME portuguesas, que cada vez mais têm na exportação o seu fator crítico de sucesso".

 

Exportações são afetadas

 

Patrícia Teixeira Lopes, vice-dean da Porto Business School, recorda que a maioria das empresas portuguesas é fortemente exportadora, sendo estas "muito influenciadas pelo que se passa nos outros países e na economia mundial". Portanto, o nível de crescimento e recuperação de determinadas economias, o nível de inflação em geral, e o relativo a determinados fatores produtivos chave, quebras nas cadeias de abastecimento, "e, de forma mais ampla, a evolução da pandemia a nível mundial são tudo fatores relativos ao cenário económico, sanitário e político mundial que em muito afetarão as empresas portuguesas".

 

A pensar nos desafios das PME para 2022 e na forma como serão influenciadas pelo cenário económico mundial, Pedro Brinca, da NOVA SBE, lembra que Portugal escolheu um modelo de apoio económico "mais baseado em diferimento de pagamentos – moratórias fiscais, de crédito – do que em apoios diretos". Outros países, como a Alemanha, Reino Unido e EUA, tiveram apoios em percentagem do PIB "muito superiores". Este cenário leva, naturalmente, a problemas de "competitividade externa por via de maiores custos de capital por parte das empresas portuguesas". E este é, no entender de Pedro Brinca, "um handicap que acumula com os já tradicionais problemas de competitividade que temos".

 

De olho na inflação

 

O responsável da NOVA SBE destaca ainda a maior inflação que tem sido observada nos outros países, "quando comparado com Portugal e indica que estas ajudas diretas dos outros países podem ter ido longe demais e para lá da capacidade produtiva da economia". Assim sendo, "este diferencial de inflação contribui para o aumento da competitividade das empresas portuguesas, que em média produzem mais barato que os seus concorrentes", sublinha.

A esperança é, no entanto, que a recuperação mundial em 2022 possa contribuir para que "eventuais assimetrias a este nível reflitam maiores ou menores taxas de crescimento económico, mas que, em conjunto, o crescimento da atividade económica seja robusto e elevado". Há também que contar com o facto de que, durante a pandemia, houve transformações estruturais que permitiram aumentar os níveis de produtividade por via da "aceleração da digitalização". Logo, e uma vez concretizada a reconfiguração da economia em termos de reafetação de recursos, "é de esperar que também isto alimente uma maior dinâmica económica", adianta ainda o mesmo responsável.

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