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O que esconde 2022

Avizinham-se doze meses repletos de desafios e novas metas para ultrapassar. O que devem, afinal, esperar as empresas do ano que agora começa?

12 de Janeiro de 2022 às 12:22

Ainda na ressaca de um ano repleto de desafios, as pequenas e médias empresas (PME) não podem agora descansar à sombra dos resultados já conquistados. É hora de manter as mangas arregaçadas e de lutar pelo seu crescimento e evolução.

 

Assim sendo, o que podem então as organizações esperar de 2022? Quais os grandes desafios que se avizinham e qual a melhor estratégia para os ultrapassar? Estas são, na verdade, perguntas cuja resposta nem sempre é simples. Mas algumas ideias são unanimemente aceites pelos diferentes responsáveis contactados pelo Negócios em Rede.

 

Joana Seixas, subdiretora do ISAG – European Business School, sabe que as PME "vivem um momento particularmente desafiante, não apenas pelo contexto pandémico que ainda atravessamos, mas, sobretudo, porque a evolução das empresas depende da aposta eficaz e articulada em duas vertentes: a tecnologia e as pessoas". Diz esta responsável que, se por um lado as PME se procuram adaptar "à economia digital", e perceber "como a tecnologia e o digital se podem enquadrar nas estratégias de produção, gestão, marketing e tantas outras vertentes", por outro lado "a valorização do capital humano mostra-se também essencial e não é, de modo algum, remetida para segundo plano face à aposta na digitalização". Joana Seixas adianta que "um número crescente de empresas" tem procurado, e assim seguirá em 2022, "assegurar planos de carreira aliciantes para os seus colaboradores". Desta forma, os gestores "garantem que os seus recursos humanos são conhecedores e capazes de aplicar as melhores e mais atuais práticas do mercado".

 

Do lado do ISEG, o professor Luís Cardoso adianta que "o ano de 2022 será muito exigente para as PME portuguesas" que estão ainda "a sofrer os efeitos decorrentes da pandemia, quer nos negócios (com reflexos económicos e financeiros) quer nas suas estruturas internas, com as implicações decorrentes do teletrabalho e de elevados níveis de absentismo". Por outro lado, a economia e o sistema, financeiro internacionais "encontram-se também em situação instável" e, por sua vez, "a economia portuguesa está fragilizada e anémica, porque o enquadramento, nomeadamente em termos fiscais, é muito desfavorável às empresas". Contas feitas, Luís Cardoso aponta um importante desafio relacionado com as qualificações e competências das pessoas: "Temos um grande défice de formação a nível do secundário, bem como em termos de cultura empresarial, designadamente no que respeita a liderança, visão estratégica e digital."

 

Novos canais de distribuição e reorganizar as estruturas produtivas

 

Pedro Brinca, professor auxiliar da Nova SBE, alinha pelo mesmo diapasão e avança que as PME entram em 2022 "com grandes dificuldades" já que tiveram "dois anos muito difíceis e muitas viram o seu valor diminuir pela acumulação de prejuízos relacionados quer com as restrições às operações, quer com a diminuição da procura por via da quebra de atividade económica". Por isso, as PME estão "mais descapitalizadas ao mesmo tempo que o fim faseado das moratórias irá necessariamente implicar maior esforço da tesouraria". Tendo em conta este contexto, Pedro Brinca defende que "é preciso investir em novos canais de distribuição e na reorganização das estruturas produtivas, incluindo quer novos modos de trabalho quer novos produtos".

 

Já Patrícia Teixeira Lopes, vice-dean da Porto Business School, diz que o tecido empresarial das PME em Portugal é muito diversificado "e os desafios que enfrentam estão, em grande parte, relacionados, dependendo de características específicas, tais como, o setor de atividade, o grau de abertura ao exterior, o grau de qualificação dos seus recursos humanos ou o nível de digitalização e de inovação que incorporam nos seus processos". Ao nível dos desafios que são transversais e comuns à generalidade das PME portuguesas, Patrícia Teixeira Lopes fala na "volatilidade e incerteza ainda existente sobre a evolução da pandemia, os riscos relacionados com o funcionamento das cadeias de abastecimento, a incerteza relativa ao preço dos recursos e fatores produtivos e os temas de sempre relacionados com as incertezas e as elevadas cargas fiscais e burocráticas de Portugal".

 

Uma nova perspetiva para 2022

 

Perspetivando 2022, a vice-dean da Porto Business School refere que se trata de "um ano de re(construção)" após um período de pandemia que disrompeu alguns setores e trouxe novas perspetivas sobre a sociedade que queremos e o mundo em que vivemos. Será um momento essencial para as empresas definirem modelos de negócio "enquadrados com estes novos desafios, nomeadamente nas áreas da digitalização e da sustentabilidade".

 

Bernardo Maciel, CEO da Yunit Consulting, fala num ano "marcado globalmente pela estabilização da retoma económica já evidenciada em 2021, ainda que de forma não continuada". Este responsável aponta três fatores fundamentais para acreditarmos que assim seja: "O regresso gradual à normalidade das atividades económicas; uma adaptação plena das empresas a um contexto que a pandemia acelerou; e o impacto na economia pelo lançamento dos instrumentos financeiros europeus."

 

Quanto a Bruno Borges, CEO da iServices, defende que "o absentismo é atualmente um dos principais desafios" das empresas portuguesas para "conseguir manter a normalidade das atividades de produção e de prestação de serviços". Por outro lado, existe uma cada vez maior "mudança de paradigma no que respeita aos modelos de gestão de recursos humanos, para dar resposta aos atuais desafios: regimes de trabalho híbridos; realocação de colaboradores a novos departamentos; e uma, cada vez maior, escassez de profissionais qualificados nas regiões do interior do país". Logo, em 2022, a proposta de valor das empresas já não pode passar apenas pela "oferta de um salário acima da média e alguns benefícios sociais", uma vez que "as questões de flexibilidade, o prestígio da marca, a transparência e compromisso com diversidade, inclusão e sustentabilidade estão também na ordem do dia", sublinha Bruno Borges.

 

Por fim, "o consumidor é hoje muito mais digital do que era antes da pandemia". Portanto, em 2022 "as empresas devem apostar, cada vez mais, na análise e na interpretação de dados, mantendo o foco na adoção de tecnologias inovadoras que lhes permita serem mais ágeis na tomada de decisão".

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