Empresas Sustentáveis 2019 Sustentabilidade também se ensina

Sustentabilidade também se ensina

As universidades portuguesas estão mais atentas às questões ambientais, começando a integrar a temática nas formações que lecionam, seja enquanto cursos autónomos, seja em formações de negócio, engenharia e outras.
Sustentabilidade também se ensina

As universidades são, em grande parte, entidades responsáveis pela formação dos futuros líderes, sejam eles políticos, gestores, cientistas, empreendedores, formadores de opinião ou especialistas; por formar, na verdade, os futuros agentes de mudança que vão ocupar cargos no setor público ou privado, em entidades e empresas diversas.

 

Nesse sentido, cabe também a estas instituições começar a prestar uma maior atenção às questões ambientais. Atentas a esta realidade, as instituições universitárias portuguesas dão já especial relevância ao tema, como é o caso da Universidade Católica Portuguesa.

 

De acordo com Maria Inês Romba, diretora do Gabinete de Desenvolvimento e Media Relations da instituição, no que diz respeito aos seus cursos, "estas são temáticas sensibilizadoras incluídas nos vários ciclos de estudo, quer no âmbito dos cursos conferentes de grau – licenciaturas, mestrados e doutoramentos –, quer nos restantes cursos – pós-graduações, formações avançadas e executivos".

 

Exemplo disso é a licenciatura em Bioengenharia, da Escola Superior de Biotecnologia da UCP, que, na sua especialização em Engenharia do Ambiente, trata o diagnóstico de disfunções ambientais "e a integração de princípios de sustentabilidade numa abordagem multidisciplinar". Desta licenciatura, destaque para a unidade curricular de Tecnologias Ambientais.

 

Também o mestrado em Biotecnologia e Inovação possui um semestre dedicado ao Ambiente e Sustentabilidade enquanto o mestrado em Engenharia Alimentar, também da ESB, foca estas temáticas, "nomeadamente na sua unidade curricular de Práticas Ambientais Sustentáveis".

 

Finalmente, um outro exemplo diz respeito ao Direito do Ambiente, da Faculdade de Direito da UCP, cuja unidade curricular optativa do 2.º semestre do curso de Direito "procura promover a aquisição de conhecimentos técnico-jurídicos nesta área, e ainda fomentar a sua consciência cívica e participativa para a adoção de melhores comportamentos ambientais".

 

Projetos que merecem destaque

Muito além dos cursos, a Universidade Católica Portuguesa tem vindo a trabalhar também na criação de condições para promover a formação nesta área. A criação do European Bioproducts Research Institute, no Porto, como nova unidade de transferência de conhecimento para a área dos bioprodutos, resultado do contrato de confiança estabelecido com a Amyris, "vai materializar-se num centro de competências de excelência em biotecnologia, promovendo Portugal na linha da frente nas áreas da bioeconomia e economia circular", refere Maria Inês Romba.

 

Também os alunos mostram uma crescente preocupação e interesse no tema, sendo disso exemplo o projeto de investigação de uma aluna de doutoramento da ESB da UCP, "que desenvolveu uma tecnologia que permite, através da extração de enzimas de cascas de ananás, a valorização de resíduos que são considerados lixo".
 

Coimbra mais verde

Do lado do Instituto Superior de Engenharia de Coimbra (ISEC), a atitude face à sustentabilidade e economia circular não é diferente. De acordo com Mário Velindro, presidente do ISEC, embora "a engenharia esteja baseada na física e na matemática", cadeiras de base "não ligadas a estas temáticas", nas disciplinas tecnológicas pretende-se criar condições e motivar os professores para passarem "a introduzir nas áreas de projeto ligadas à inovação" este tipo de temáticas.

 

Nesse sentido, está a ser recriado "um projeto de sensibilização para que os futuros engenheiros saiam da escola com uma formação muito mais clara sobre esta situação", refere o presidente do ISEC.

 

Em termos práticos, o Instituto está agora integrado na academia LoRaWAN, que permite "desenvolver um projeto baseado em sensores colocados nas árvores para monitorizar a humidade, a temperatura e perceber se há alguma alteração de relevo".

 

Mário Velindro acredita existirem "uma série de projetos que as escolas podem desenvolver para dar resposta a estas questões da sustentabilidade". A engenharia civil "terá um papel fundamental no sentido de perceber, por exemplo, que materiais devem ou não ser utilizados para que a indústria não seja afetada se houver um incêndio nas imediações".

 

Integrado na comunidade conimbricense, o Instituto "tem tido a preocupação de dialogar com as empresas para eles próprios dizerem que tipo de ajudam precisam". Para fomentar esta partilha, foi criada a Academia de Engenharia de Coimbra "com uma equipa cujo foco é o exterior empresarial" através da qual "temos recebido uma série de convites e desafios de empresas para começarmos a interagir de uma forma mais efetiva com eles".



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