Formação de Executivos 2018 Empresas com poucos recursos para financiar formação

Empresas com poucos recursos para financiar formação

Não é viável para a imensa maioria de empresas ter dentro da organização a capacidade instalada capaz de desenvolver as competências dos seus recursos. A solução reside em recorrer a um parceiro externo.
Empresas com poucos recursos para financiar formação

Números de 2016 revelavam que em Portugal existiam 1,2 milhões de empresas, sendo que apenas mil eram grandes empresas e as restantes PME e microempresas. Neste universo trabalhavam cerca de 4 milhões de pessoas, enquanto nas grandes organizações estavam cerca de 800 mil pessoas. Cristina Alcobia sublinha os números para comentar a procura de formação por parte de executivos, focando a análise na capacidade das empresas para financiarem este tipo de investimento junto dos seus quadros.

"Os empresários e decisores entendem que a formação é um investimento importante, mas os cursos e os programas continuam a ser caros face à dimensão e estrutura da maioria das empresas portuguesas e não é fácil integrar verbas suficientes para a componente de formação nos ‘business plan’ anuais da maioria das empresas portuguesas".

Da experiência da Associação Internacional para o Desenvolvimento e Competitividade Empresarial (AIDEC) no terreno, cuja direcção integra, retém que o critério de decisão para a maioria das empresas, no que se refere ao financiamento da formação dos quadros, "é sem dúvida a relação investimento/retorno, sendo que neste caso o investimento é tangível e o retorno uma mera suposição", sublinha.

A AIDEC identifica outro obstáculo a uma maior aposta das empresas no reforço das competências dos seus quadros, que passa pela identificação e selecção dos colaboradores a quem vão patrocinar a formação. "A visão dos empresários sobre este assunto é muito pessimista", defende a responsável, embora considere que, com o compromisso dos colaboradores, a situação começa a inverter-se.

Na perspectiva da AIDEC, que reconhece excepções, há também espaço para melhorar na estrutura dos programas de formação dirigidos a executivos, seja ao nível dos conteúdos – que nalguns casos considera ainda "demasiado amplos e genéricos" –, seja no que se refere à ligação com as empresas, numa dinâmica que vá além dos grandes centros. 

Reconhece que "não é viável as empresas terem ‘in house’ a capacidade instalada para desenvolver as competências dos seus recursos. É necessário ter um parceiro externo para essa função, que cada vez é mais importante, mas é preciso conhecê-lo bem, assim como a sua oferta e proposta de valor", defende Cristina Alcobia.