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Humildade vs. carisma: para uma liderança realmente mais humana

No contexto atual, os colaboradores precisam de ter confiança nos seus responsáveis.

17 de Setembro de 2020 às 10:16
Mário Ceitil, presidente da Associação Portuguesa de Gestão das Pessoas (APG) e coordenador do Executive Master em Gestão Estratégica de Pessoas e Liderança do ISCTE/Executive Education
Mário Ceitil, presidente da Associação Portuguesa de Gestão das Pessoas (APG) e coordenador do Executive Master em Gestão Estratégica de Pessoas e Liderança do ISCTE/Executive Education
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O período de "pós-modernidade" que estamos a atravessar, ou mais propriamente aquilo que se convencionou designar por "era pós-covid", suscita muitas interrogações em relação às formas de gerir as organizações e as pessoas, assim como relativamente aos perfis de gestores e líderes que, em princípio, são mais adequados para responder aos enormes e complexos desafios que estes novos tempos convocam.

 

As respostas, como é habitual, são obviamente muito mais difíceis e complexas do que as questões colocadas; no entanto, o imenso e muito aprofundado trabalho que tem sido levado a cabo neste domínio, tanto no contexto académico como empresarial, já nos permite apontar algumas linhas de orientação.

 

Desde logo, uma das ideias que parecem reunir um consenso generalizado é a de que este é fundamentalmente um tempo para liderar e não apenas para gerir. Em concreto, num tempo em que a complexidade invade todos os domínios e territórios da vida social, em particular das atividades profissionais, as organizações necessitam de responsáveis verdadeiramente sensíveis às necessidades humanas dos seus colaboradores e que sejam capazes de abandonar muitos dos (maus) hábitos e rituais tradicionalmente mais associados ao exercício de funções de gestão.

 

Referimo-nos, por exemplo, às preocupações por vezes quase obsessivas com o alcance dos objetivos, que levam os gestores a adotarem práticas de controlo excessivo, micromanagement e até algum uso abusivo de práticas de manipulação e/ou coação. Referimo-nos também, a alguma tendência dos gestores para adotarem certo tipo de comportamentos egocêntricos e narcisistas, enfatizando de uma forma excessiva práticas de influência e de persuasão, exercidas com base num esforço intencional de exponenciar o seu carisma pessoal.

 

Ora, este é um tempo em que os líderes deverão optar mais pela honestidade e humildade do que pelo carisma. Num contexto social e empresarial em que os níveis de ansiedade e de sofrimento psicológico são potencialmente elevados, os colaboradores o que querem dos seus responsáveis é um diálogo autêntico e grande transparência, duas condições essenciais para alimentar um dos principais ativos da gestão do nosso tempo: a confiança.

 

Este é, em síntese, o principal imperativo que as empresas e as estruturas de formação de executivos deverão privilegiar: criar dispositivos de aprendizagem que permitam desenvolver um novo tipo de gestores que não se limitem a agir pontualmente como líderes; gestores que sejam líderes de corpo inteiro e a tempo inteiro e que, mais do que quererem ser eles próprios as "best people", se centrem nessa missão muito mais nobre e extremamente necessária que é fazer suscitar o "best in people" nas pessoas e equipas que lideram.

Mário Ceitil, presidente da Associação Portuguesa de Gestão das Pessoas (APG) e coordenador do Executive Master em Gestão Estratégica de Pessoas e Liderança do ISCTE/Executive Education

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