Indústria Química Desafios não faltam

Desafios não faltam

Futuro da química, petroquímica e refinação em Portugal depende do canal do Panamá, do desenvolvimento de novos ramos de atividade ligados à bioquímica, indústria farmacêutica e novos materiais, da energia ou da legislação.
Desafios não faltam

O setor da indústria química é importante na economia nacional. Em Portugal, o ramo da química, petroquímica e refinação representa 11 mil milhões de euros de volume de negócios anual e 1,6 mil milhões de Valor Acrescentado Bruto (VAB). O setor representa igualmente 12% do total das exportações nacionais, exportando para 181 países e emprega, direta e indiretamente, 52 mil pessoas.

 

A indústria química é, de forma geral, uma indústria de capital intensivo com custos fixos "muito significativos", refere Luís Araújo, diretor-geral da APQuímica. "A exportação permite manter níveis de atividade essenciais à sustentabilidade das unidades fabris, que, por sua vez, são muito importantes para garantir a segurança e a estabilidade de abastecimento a uma grande variedade de indústrias nacionais a jusante". Luís Araújo está a referir-se aos setores têxtil, de tintas, automóveis, celuloses, tratamento de águas, agricultura, entre outros. Segundo o Conselho Europeu da Indústria Química (CEFIC), a química integra o processo produtivo de cerca de 95% de todos os bens produzidos.

 

Luís Araújo explica que as principais oportunidades do setor são: a intensificação do tráfego marítimo Ásia/Europa através do canal do Panamá, decorrente da amplificação recentemente verificada, que poderá aumentar as potencialidades logísticas do porto de Sines, melhorando a sua atratividade como polo industrial; e o desenvolvimento de novos ramos de atividade não consumidores intensivos de energia, como os ligados à bioquímica, à indústria farmacêutica e a novos materiais.

 

Já as principais ameaças são: a diferença dos custos de energia que se verificam atualmente entre a Europa e outras regiões do globo, nomeadamente os EUA, que podem acelerar a deslocalização da indústria química europeia para essas regiões, com consequências graves na indústria química portuguesa. Seja diretamente, por encerramento de instalações situadas em Portugal, ou indiretamente, pela perda de mercados na União Europeia. Outra ameaça é a proliferação de legislação comunitária e nacional, ultrapassando as necessidades reais de regulação e introduzindo custos adicionais que se vão sobrepondo e acumulando no setor químico. Recente informação disponibilizada pelo CEFIC – no estudo "Custo Cumulativo da Regulamentação na Indústria Química na UE", efetuado pela Technopolis Group para a Comissão Europeia e publicado em abril de 2016 – revela que de 2004 a 2012, o número de regulamentos da UE sobre saúde, segurança e ambiente, passou de 940 para 1724.

 

De Matosinhos a Sines

 

Os principais polos nacionais da indústria química estão espalhados de norte a sul do país. No Grande Porto, existem três grandes produções: produção de aromáticos associada à refinaria de Matosinhos; diversas indústrias de especialidades químicas e gases industriais. Em Estarreja/Aveiro, existe um polo que associa a indústria de cloro/alcalinos, gases industriais e petroquímica; colas para a indústria das madeiras; e polímeros. Em Lisboa e Vale do Tejo, existem adubos; fibras sintéticas; especialidades químicas e farmacêuticas; e gases industriais. Já em Sines, destaca-se a produção da indústria petroquímica a partir de etilenos; colas para a indústria das madeiras; e ácido tereftálico.


Números do setor

11 mil milhões de euros de volume de negócios anual
1,6 mil milhões de Valor Acrescentado Bruto (VAB)
12% do total das exportações nacionais
181 países de destino das exportações do setor
52.000 empregos diretos e indiretos
1/5 das despesas em inovação da indústria transformadora

Fonte: INE, GEE-ME (Gabinete de Estratégia e Estudos do Ministério da Economia), 2016–2017




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