Mulheres na Tecnologia 2018 São necessárias mais mulheres no sector tech

São necessárias mais mulheres no sector tech

A tradição e as questões familiares ainda afastam o sexo feminino de trabalhos em empresas tecnológicas e dos cursos ligados a esta área. Há mulheres que se destacam em Portugal e no mundo pelo seu trabalho na tecnologia, mas para se evoluir a sociedade tem de fazer mais.
São necessárias mais mulheres no sector tech

Há menos mulheres do que homens a trabalhar no sector tecnológico. A diferença, aliás, é abissal. Da mesma forma, há menos pessoas do sexo feminino a frequentar cursos nas universidades com o objectivo de seguir carreira nas áreas tech. Os estudos internacionais comprovam-no e a comunidade Portuguese Women in Tech ou a sociedade Portugal Ventures também o indicam. Esta é a realidade, apesar de estar comprovado que ter uma equipa diversificada é benéfico para qualquer empresa, seja no sector da tecnologia ou noutro.

 

Se comparadas com os homens, "claro que é reduzido, e a todos os níveis" o número de mulheres nas áreas tecnológicas, refere Cristina Rodrigues, presidente da Unidade de Mercado da Capgemini em Portugal. Os factos históricos justificam este número, diz. "Passámos de um peso histórico de séculos para pouco mais de 70 décadas. A tecnologia é, desde sempre, uma área muito dedicada ao género masculino. Há dez anos quantos anúncios de brinquedos tecnológicos víamos? E que criança estava a brincar com eles?", questiona. Hoje já se faz um grande esforço pela diversidade, mas não deveria ser um esforço, aponta. Não deveria ser algo que parece ser "conquistado" pelas meninas, mas sim algo natural e "por escolha de cada um".

 

Nos cursos académicos assiste-se a algo semelhante, uma vez que estas áreas continuam a "registar números inferiores de alunas a optar pela realização de um curso de Informática". Cristina Rodrigues explica que nas suas carreiras, as mulheres enfrentam desafios muito maiores do que os homens, alguns dos quais, como a maternidade, nenhuma sociedade pode modificar por serem inerentes à natureza do género humano. "Constituir uma família é um grande desejo de quase todas as mulheres e quase sempre requer um momento de decisão. Este é um aspecto em que todos, homens e mulheres, precisamos de trabalhar e mudar!", avisa e prossegue: "Se temos os mesmos direitos nos estudos, devemos mantê-los como profissionais, mesmo que biologicamente uma mulher tenha de ‘parar’ mais tempo porque foi mãe. É natural e não deve ser nenhuma fatalidade."

 

Cristina Rodrigues ressalva que esta é a "pequena parte visível do icebergue", dado haver muito mais por trás dos números. No entanto, "continua a ser dos principais influenciadores, sem dúvida, em Portugal e no resto mundo".

 

Grandes mulheres em Portugal

 

Romana Ibrahim, founder & CEO da Icontrends e da Keep Warranty, afirma que o tecido tecnológico feminino é ainda reduzido, mas assegura que existem grandes mulheres em Portugal a liderar projectos na área tech e inclusive a transformá-los em grandes casos de sucesso. "A Andreia Madeira, que do lado do investimento está a arrancar com um projecto de inovação de excelência por parte do BBVA; a Maria Miguel, ex-directora da Startup Portugal e uma das mulheres mais influentes neste ecossistema, entre outras."

 

O número de mulheres a operar na área tecnológica é mais baixo do que o do sexo masculino, mas isso não é novidade. Até porque a relação não é muito diferente em cargos de direcção, recorda. "O que acredito é que na tecnologia esse rácio se vai inverter primeiro." E acrescenta: "Mais do que uma questão de género ou paridade, a entrada de mulheres no tecido produtivo tech e nos processos de tomada de decisão em geral é um bem essencial que a sociedade não pode prescindir."

 

Para tal é necessária uma mudança consistente no setup educacional, que trará esse reboot social que é preciso. "No dia em que, de forma activa, os media, o governo, as grandes empresas e a comunidade de um modo geral estejam prontos a aceitar isto, a sociedade será melhor, mais competitiva e mais rica", afiança. É o que já acontece no Norte da Europa, onde as mulheres, com a sua participação mais activa, "melhoram" os índices sociais na vida empresarial e no desempenho familiar.

Numa entrevista que a ministra da Presidência e Modernização Administrativa, Maria Manuel Leitão Marques, deu ontem ao Público é abordado precisamente o tema da diferença entre homens e mulheres no sector da tecnologia. A ministra explica que o programa InCoDe educa as crianças com competências digitais no ensino básico nas escolas. Um dos eixos deste programa é o da inclusão digital, no qual se combate "a diferença entre homens e mulheres neste sector, que é grande", salienta a ministra e continua: "Este é um fenómeno que tem de ser enfrentado porque, se tal não for feito, daqui a uns anos as desigualdades poderão agravar-se, tendo em conta que estas sãos as profissões do futuro e as que potencialmente serão mais bem remuneradas."

 

Ser empreendedora

 

O empreendedorismo é hoje uma expressão transversal ao mercado laboral. É importante ser empreendedor para atingir o sucesso e na área tecnológica esta característica ganha, quiçá, especial relevância. Cristina Rodrigues explica que a principal característica para se ser empreendedora é acreditar nas suas capacidades e ter uma boa auto-estima. "Como empreendedor é certo que vão existir vitórias, mas antes disso vão aparecer muitas derrotas e momentos de dúvida em que se questionam como profissionais e sobre o que querem construir."

 

A responsável da Capgemini salienta que os tempos são cada vez mais "dinâmicos e acelerados" e um líder empreendedor tem de "corresponder a esta velocidade, dar respostas, inovar, comunicar de forma vibrante e transparente". "Mostrar vulnerabilidades, criando ao mesmo tempo relações de confiança porque motiva as suas equipas. É preciso ter carisma e dar espaço ao novo, à mudança."

 

Não são só os fundadores ou os gestores de grandes organizações que revelam empreendedorismo, destaca Romana Ibrahim. Existem pessoas de diferentes status sociais que são igualmente empreendedores. "Desde a ‘zungueira’, típica vendedora ambulante angolana que sai de casa ainda de noite para conquistar aquilo que se chama a renda diária que sustenta a alimentação dos seus filhos e despesas da casa, até aos mais conceituados fundadores das maiores companhias internacionais." Seja como for todos têm três pontos em comum: "O foco no que querem atingir; a força que lhes possibilita lutar e trabalhar arduamente para lá chegar; e a resiliência que lhes permite ver com optimismo as dificuldades que encontram no caminho."

 

Rita Marques, CEO da Portugal Ventures, revela que as características que uma empreendedora tem de ter são "as mesmas das de um empreendedor: iniciativa, motivação, visão, organização e foco".




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