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Setor agrícola precisa de incorporar inovação e conhecimento

Simão Soares, presidente da P-BIO, considera que o setor agrícola e agroalimentar, à semelhança de outros setores da economia portuguesa, enfrenta múltiplos desafios em termos de sustentabilidade ambiental, mas também sustentabilidade económica e social. A inovação e a capacitação são a chave para agilizar a digitalização.

11 de Março de 2022 às 14:36
Simão Soares, presidente da P-BIO
Simão Soares, presidente da P-BIO
A P-BIO (Associação Portuguesa de Bioindústria) é uma associação empresarial que agrega as empresas que têm na sua génese o desenvolvimento de soluções biotecnológicas, aplicadas a diversas áreas, como a saúde, a agricultura, a floresta, a alimentação, o mar e a bioindústria propriamente dita. Ao lado do Crédito Agrícola, na atribuição do Prémio Empreendedorismo e Inovação Crédito Agrícola, há dois anos, a P-BIO encontra-se altamente empenhada em fomentar o processo de inovação no setor, com um foco muito grande na inovação biotecnológica.

Quais são os principais desafios de sustentabilidade que identifica no setor agrícola?
A necessidade de aumentar a produção para continuar a alimentar a população mundial em crescimento e ao mesmo tempo a necessidade de adaptar as produções aos desafios trazidos pelas alterações climáticas serão os principais desafios de sustentabilidade do setor nos próximos anos. Sabemos que as alterações climáticas trazem desafios específicos ao setor agrícola, como sejam a crescente escassez de água e de solos de boa qualidade para a agricultura, a existência de novas pragas e doenças, a perda de biodiversidade, o aumento do preço da energia e outros fatores de produção, como os fitofármacos, e a necessidade de manter elevados níveis de segurança alimentar. A necessidade de aumentar os rendimentos das explorações, diminuindo a sua "pegada ecológica" passa muito por uma aposta na economia circular, por via da valorização de resíduos e subprodutos que, em muitos casos, ainda não são aproveitados pelos produtores, seja para incorporação nos seus processos produtivos, seja para servir de matéria-prima a outra atividade económica conexa com elevado valor acrescentado.

Que soluções serão essenciais para a assegurar e se já estão ou não previstas na PAC?
Na visão da P-BIO, estas políticas deveriam focar-se no apoio a uma maior incorporação de inovação e conhecimento no setor, assim como às políticas que permitam explorar ao máximo as sinergias entre o setor agrícola e o das bioindústrias. O plano estratégico da PAC nacional para o período 2023-2027 contém um Diagnóstico Objetivo Transversal bem produzido e delineado no nosso entender, com uma aposta na modernização do setor através da promoção e da partilha de conhecimentos, da inovação e da digitalização. Contém ainda nos seus objetivos específicos algumas das prioridades que, em nosso entender, devem constar num documento de estruturação de políticas para o setor, como por exemplo, o foco na sustentabilidade económica e ambiental do setor, na economia circular, na estruturação da cadeia de valor, e no aumento da competitividade por incorporação de conhecimento e tecnologia. A principal fraqueza, no nosso entender, poderá passar pela pouca importância dada à capacitação, sendo que a maior dificuldade se prende habitualmente com a sua efetivação e implementação posterior no terreno, resultando numa aplicação das políticas de uma forma desagregada, acabando por menosprezar a visão de conjunto para o setor, que deveria ser prioritária.

Consideram que este prémio é hoje um catalisador indispensável para a inovação e modernização do setor agrícola?
Tendo sido para nós muito gratificante trabalhar com o Crédito Agrícola exatamente por esta visão de futuro que têm para o setor agrícola, com um foco muito grande na inovação e na sustentabilidade. Sabemos que esta visão do Crédito Agrícola não é de hoje, como se demonstra no facto de termos acabado de encerrar a 8.ª edição consecutiva deste Prémio de Empreendedorismo e Inovação Crédito Agrícola. Este prémio é um incentivo muito importante para a continuidade do processo de inovação e modernização do setor, não só pelo óbvio incentivo aos vencedores do prémio nas suas diversas categorias, mas também pela visibilidade que traz a todos os projetos finalistas, ao reconhecimento e divulgação do seu trabalho e também por proporcionar uma oportunidade de explorarem projetos conjuntos, novos consórcios e abrirem novos horizontes de investigação e desenvolvimento de novas soluções para os desafios da sustentabilidade de hoje e de amanhã.

Que balanço faz do vosso envolvimento neste prémio?
O envolvimento na organização deste prémio permite-nos, por um lado, potenciar as sinergias e aumentar a comunicação entre o setor da biotecnologia e das bioindústrias e o setor agrícola, agroalimentar e florestal, que é um dos setores tradicionais com sinergias mais evidentes com as bioindústrias e, por outro, trazer os temas da inovação e das soluções biotecnológicas para a discussão com o setor agrícola. A biotecnologia, e as bioindústrias de uma forma mais lata, contribuem e terão de contribuir cada vez mais para um aumento do valor agregado do setor agrícola.

Que papel desempenha a P-BIO na inovação deste setor e na superação dos desafios da sustentabilidade?
Temos vindo a criar relações e a trabalhar em conjunto com diversos atores do setor, como o Crédito Agrícola, mas também com a CAP, a CONFAGRI, a Rede Rural Nacional, o INIAV, a ANI, a AJAP e outros, na promoção de todas as iniciativas que visem promover a inovação e a prossecução da superação dos desafios da sustentabilidade no setor.
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