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Smart Trap de olho nas pragas, doenças e em fontes de investimento

O projeto encontra-se numa fase de validação e teste em larga escala, e procura novos investimentos que permitam torná-lo mais acessível aos agricultores.

11 de Março de 2022 às 14:37
Além dos prémios atribuídos pelo Crédito Agrícola, a cerimónia Prémio Empreendedorismo e Inovação Crédito Agrícola conta ainda com uma distinção atribuída pela ANI – Agência Nacional de Inovação, que destaca o melhor exemplo de projeto nascido do conhecimento. Este ano, o prémio Born From Knowledge foi entregue ao projeto Smart Trap.

Trata-se de uma tecnologia para a deteção de pragas e doenças, que é acessível à maioria dos pequenos e médios agricultores. De acordo com Filipe Neves dos Santos, um dos investigadores do Laboratório de Robótica e IoT para Agricultura e Floresta de Precisão Inteligente do INESC TEC, com esta solução, será possível efetuar deteção de níveis de risco de forma atempada e efetuar tratamentos numa fase preliminar das doenças e assim reduzir o uso de fitofármacos.

"Esta distinção é um reconhecimento do nosso trabalho e um forte incentivo à continuação do desenvolvimento desta tecnologia. Com este prémio, conseguiremos promover esta tecnologia junto de potenciais tomadores de tecnologia, decisores políticos e utilizadores finais, o que facilitará a promoção da solução Smart Trap (atualmente AgIo Trap) e respetiva transferência para o mercado", refere Filipe Neves dos Santos.
Monitorização continuada

A deteção de pragas e doenças é um problema que não se delimita e circunscreve à propriedade de um agricultor. É um problema que necessita de ser resolvido em rede entre todos os agricultores, para que o sistema tenha de facto um impacto positivo elevado na agricultura em geral, nomeadamente na redução significativa de custos e uso de fitofármacos. "Em contraste com as soluções (armadilhas cromotrópicas) amplamente utilizadas nos pequenos agricultores, esta solução (Smart Trap atualmente AgIo Trap) permite uma monitorização continuada (duas vezes ao dia) da deteção e contagem de insetos, vetores de doenças, sem a necessidade de o agricultor/técnico efetuar visitas regulares às armadilhas, que têm impacto nos custos da estrutura do agricultor", explica outro dos investigadores do projeto, Pedro Moura.

Dificuldades

No que respeita ao processo de transmissão de informação, esta solução utiliza três meios de comunicação de dados: LoRa, wi-fi e 3G/4G (dados móveis). Este tem-se verificado como um ponto crítico para a adoção desta tecnologia, visto que assenta preferencialmente numa rede comercial de dados móveis (nomeadamente 3G e 4G) e atualmente são escassos os planos comerciais apelativos para este tipo de aplicação. O desenvolvimento desta tecnologia tem sido realizado unicamente pelo INESC TEC. Na fase de especificação e validação, temos contado com o suporte de várias entidades, de forma direta ou indireta, nomeadamente as seguintes entidades: INIAV, AVITILIMA e FENADEGAS.

Solução em validação

Esta solução está a ser testada há três anos, nomeadamente usabilidade, testes de robustez, conectividade e precisão. O investigador Pedro Moura explica que, ao longo deste período, foram sendo detetados e resolvidos muitos problemas. "Neste momento, estamos numa fase de validação em larga escala, através do projeto europeu H2020 DEMETER, e nos projetos nacionais FD-Controlo e InOlive, nos quais se está a validar a última versão. Com a validação deste protótipo em larga escala, os investigadores esperam passar à fase da produção, já no próximo ano. Acreditamos que este ano teremos a solução totalmente validada e robusta para utilização em ambientes adversos e de forma consistente", destaca Pedro Moura.
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