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Notícia

Uma quinta onde se cultiva o futuro

A biodiversidade é uma cultura que dá frutos nesta quinta de Santarém que é um exemplo na transformação dos polos produtivos rurais para um novo patamar de eficiência.

11 de Março de 2022 às 14:38
Na Quinta da Cholda, a agricultura moderna e produtiva anda lado a lado com a sustentabilidade e o cuidado com a natureza. Este projeto, que foi escolhido entre as várias candidaturas à categoria "Produtores Inovadores", assenta numa quinta totalmente sustentável que aposta na eficiência energética, agricultura de precisão, com tratores autoguiados, gestão da irrigação, sensores, satélites, drones e digitalização de todos os processos, com benefícios económicos e ambientais.

"Estamos no caminho certo de mostrar como a agricultura pode ser um fator de desenvolvimento económico sustentável e que promove a biodiversidade e as zonas rurais", reconhece João Coimbra, administrador da Quinta da Cholda. Segundo explica este responsável, o projeto começou em 2010 e todos os anos tem vindo a evoluir. Começou-se por introduzir vários equipamentos de agricultura de precisão, tais como sondas, mapas de produtividade, de satélite e de vigor vegetativo, que ajudam a identificar quais as zonas que numa parcela são mais produtivas e quais aquelas onde a margem de rentabilidade é negativa.

Aquelas que têm margem produtiva positiva continuam a ser destinadas para a produção, as que têm margem negativa são reorientadas para zonas de conservação e aumento da biodiversidade. "É nestas zonas que instalamos painéis solares fotovoltaicos, que nos permitiram tornar autossuficientes em termos energéticos, onde instalamos faixas de flores e outras ervas de apoio à biodiversidade e onde fizemos lagos para que várias espécies se possam sustentar, entre outras coisas", explica João Coimbra.

Agricultura competitiva

O projeto, que recebeu um incentivo no valor de cinco mil euros do Crédito Agrícola, está já em fase de cruzeiro e na opinião do administrador é já perfeitamente possível a qualquer agricultor adotar todas ou parte destas práticas. Para isso, é possível visitar a quinta e ver in loco os resultados do projeto, podendo também através do site (www.milhoamarelo.pt) acompanhar a evolução deste.

Constantemente são realizados testes, seja de novas técnicas ou tecnologias que permitam atingir os objetivos de conseguir uma agricultura competitiva e sustentável. "Temos em permanência vários campos de ensaios, cujo número tem vindo a aumentar ano após ano, e que nos permitem testar os efeitos práticos da aplicação destas técnicas e que por isso também nos permitem demonstrar a outros agricultores e outros que nos visitam as vantagens deste modo de encarar a produção agrícola", revela João Coimbra.

Disseminar o projeto no setor

Em relação a investimento, o responsável considera que foi substancial, embora o retorno financeiro já seja positivo, especialmente ao nível dos que envolveram tecnologias de agricultura de precisão.

Em relação aos vários investimentos em introdução de técnicas de conservação e apoio de biodiversidade, João Coimbra explica que pode ser mais difícil de ver um retorno mais imediato, embora esteja confiante de que todas estas mudanças podem ser benéficas para a cultura principal e até ajudar a reduzir o uso de certos fatores de produção. Por outro lado, veem-se já várias mudanças a nível de fauna, com um claro aumento de aves de rapina, de aves e de várias outras espécies. O passo que se segue é o aumento da divulgação do projeto e fazê-lo chegar a mais agricultores e outros agentes de decisão.
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