Recuperação e Gestão de Crédito “A pequena bolota de 1993 transformou-se hoje num poderoso carvalho”

“A pequena bolota de 1993 transformou-se hoje num poderoso carvalho”

A FENCA representa os interesses do setor europeu de gestão de crédito, cobrança de dívidas e compra de dívida na Europa. Esta federação completou 25 anos em 2018. Kurt Obermaier, o seu primeiro presidente, fez um balanço desta história.
“A pequena bolota de 1993 transformou-se hoje num poderoso carvalho”

A FENCA – Federation of European National Collection Associations, instituição em que a APERC se encontra filiada, celebrou o seu 25.º aniversário no ano passado. Para assinalar a data, a Federação colocou uma entrevista com o seu primeiro presidente, Kurt Obermaier, no seu site. Recuperamos essa conversa, na qual se viajou ao passado e se anteviu o futuro.

 

Kurt Obermaier começa por explicar que o objetivo de constituir uma associação para a gestão e recuperação de crédito na Europa para ter um guarda-chuva europeu para este setor já existia há muitos anos. Mas faltavam as pessoas certas, que tivessem o nível certo de comprometimento e influência nas associações nacionais para que o tal guarda-chuva se tornasse realidade. "Isso mudou em 1992", quando houve um fórum da League International for Creditors, em Berlim.

 

"Gerard Gorrias, da ANCR France, fez um discurso apaixonado nesta conferência sobre a falta de cooperação europeia no nosso setor e os perigos da legislação negativa da UE. Presentes estavam vários representantes de grandes associações nacionais, que conversaram sobre a possibilidade de formar uma federação europeia. A faísca foi acesa e levou à formação da FENCA em 1993", recordou Kurt Obermaier.

 

Kurt Obermaier explica que houve quatro pontos que foram os principais impulsionadores para a formação do supracitado guarda-chuva. Primeiro: tentar unificar o setor de cobrança de dívidas muito fragmentado na Europa. Segundo: influenciar a crescente lista de legislação proveniente da UE. Terceiro: a necessidade de apresentar uma frente unida do setor à Comissão Europeia. Quarto: ajudar e aconselhar associações nacionais de menor porte a desenvolver padrões comuns e melhores práticas para as suas próprias associações e, por sua vez, ajudar a desenvolver essa indústria nesses países.

 

No início "houve dificuldades", reconhece. "A maioria das associações fundadoras eram muito pequenas e não podiam pagar uma taxa de filiação realista." Associações maiores, como as de França, Alemanha, Noruega e Reino Unido, tiveram de arcar com os custos, o que até criou algum "ressentimento" dentro de seus membros nacionais, especialmente entre agências que não eram internacionais. "Essas agências não viam a necessidade de contribuir para um órgão internacional como a FENCA." Não obstante, conseguiu superar-se essa resistência e algumas  associações menores que então deixaram a FENCA, eventualmente, voltaram.

 

"Olhando hoje para os membros da FENCA, constato que essas associações que se juntaram ainda são membros e é claro que muitas outras associações nacionais aderiram desde os primeiros anos e isso é muito agradável para alguém como eu, um fundador", destaca.

 

Questionado se foi difícil conseguir audiências na UE, considerando os estereótipos e preconceitos que havia sobre o setor da cobrança de dívidas, respondeu que, "surpreendentemente, isso foi muito fácil". "Havia uma total falta de conhecimento da nossa indústria na Comissão Europeia. Por isso, as autoridades estavam muito interessadas em aprender connosco." Kurt Obermaier reforça que naquele período houve "muito menos preconceito" para este setor por parte da Comissão Europeia do que ainda existe em muitos governos hoje em dia.

 

Os maiores feitos da Federação

 

Quanto ao que considera ter sido o maior sucesso alcançado pela FENCA no seu início, além do desenvolvimento de contactos com Bruxelas, aponta o facto de juntos terem conseguido manter a instituição. "Isso não foi uma tarefa fácil, dada a falta de financiamento e a resistência à FENCA de muitas associações de membros nacionais", relembra. Destaca também os contactos feitos desde cedo com outras associações da atividade não europeias, realçando a americana ACA International – The Association of Credit and Collection Professionals, com a qual se coopera desde 1995.

 

Kurt Obermaier recorda ainda os congressos mundiais que têm registado um tremendo crescimento. "Então, olhando para trás, os fundadores da FENCA podem ficar muito satisfeitos em ver como a pequena bolota de 1993 se transformou num poderoso carvalho em 2018."

 

Sobre o futuro, deseja que a FENCA continue a desenvolver-se de maneira profissional e que ofereça cada vez mais serviços aos seus membros. E vê na formação e educação o caminho para tornar esta indústria uma profissão eficaz e valorizada em todos os países europeus.


Capital portuguesa acolhe congresso

O congresso da FENCA deste ano vai decorrer em Lisboa, entre 25 e 27 de setembro. Para conhecer ao pormenor o calendário, os oradores e muito mais aceda a https://fenca.eu/landing




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