ROC 2019 Novos caminhos na auditoria em debate

Novos caminhos na auditoria em debate

As transformações em curso no setor vão permitir criar uma profissão renovada e aberta à pluralidade das ferramentas e conceitos sofisticados.
Novos caminhos na auditoria em debate
António Mendonça Fernandes, secretário de Estado dos Assuntos Fiscais

Formar revisores oficiais de contas (ROC) em novas tecnologias é uma escolha essencial, já que a auditoria tradicional está agora a dar lugar a uma mais moderna e com maior capacidade de análise dos dados. A ideia foi defendida por António Mendonça Fernandes, secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, que marcou presença na sessão de abertura do XIII Congresso dos ROC, em representação do ministro das Finanças.

Organizado pela Ordem dos Revisores Oficiais de Contas, o congresso debateu os novos caminhos da auditoria, muito associados à tecnologia e à era digital. António Mendonça Mendes defende que estes profissionais têm "um papel essencial para garantir a confiança das empresas portuguesas no mercado e, consequentemente, da economia nacional".

Diz o governante que "produzir informação de qualidade para o mercado e aceitar a revisão desta informação por via de uma auditoria externa são sinais de maturidade da economia".

António Mendonça Fernandes não deixou de lembrar que a recente crise financeira veio motivar "um processo de reflexão nesta profissão" que acabou por conduzir a uma "revisão do atual regime jurídico da auditoria, que está já em curso" e, acredita o secretário de Estado, "vai contribuir para um sucesso ainda maior da atividade em si".

A aposta na qualidade da auditoria "depende do nível de competência de cada profissional e também do seu grau de independência".

 

Revisão em curso traz novas regras

Sobre esta nova realidade falou também Gabriela Figueiredo Dias, presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), que lembrou a "necessidade de renovar a profissão e introduzir novas metas".

Recorde-se que, há três anos, a CMVM passou a ser o órgão responsável pela supervisão oficial da profissão de ROC, tendo "capitalizado essa experiência na criação da proposta de revisão relativa ao novo regime da carreira, atualmente em apreciação pelo Governo".

Gabriela Figueiredo Dias falou ainda na necessidade de aferição da idoneidade dos auditores "relevante e fundamental no exercício de qualquer atividade regulada", já que só assim os auditores "trazem maior credibilidade ao mercado".

O futuro, acredita a presidente da CMVM, passa por "uma maior utilização das tecnologias de informação e comunicação na auditoria", permitindo a realização de trabalhos "mais rápidos, precisos e rigorosos". Um futuro que implica "investimento a diversos níveis e de todos os ‘stakeholders’", mas que "trará frutos a médio prazo".

O processo de certificação das contas surge também associado ao setor público, e foi disso mesmo que falou Ernesto Cunha. O vice-presidente do Tribunal de Contas lembrou "a importância de o Governo da República e os das regiões autónomas aprovarem e certificarem as suas contas" por motivos até mesmo de "transparência e confiança no mercado".

 

Equilibrar sustentabilidade e confiança

A Ordem dos ROC organiza, pelo menos trienalmente, o seu congresso ordinário que este ano versou "matérias que mexem com os instrumentos, os modelos e as condições gerais" do trabalho destes profissionais, como fez questão de sublinhar o bastonário da Ordem. José Rodrigues de Jesus acredita ser "decisivo estar aberto à pluralidade das ferramentas e dos conceitos sofisticados" que hoje em dia se apresentam muito ligados à era digital.

José Rodrigues de Jesus sublinha que "os instrumentos logísticos ao dispor não são ainda suficientemente económicos em ambientes de escassa utilização", mas lembra a possibilidade de se encontrarem formas "de uso partilhado de plataformas adequadas" e a necessidade de trabalhar em conjunto com os profissionais mais novos, "os Sub-15", e mais habituados às novas tecnologias.

O bastonário apontou ainda a importância de uma auditoria "com autonomia e independência", já que "os revisores estão no ponto terminal da credibilidade da informação financeira".

Uma credibilidade que tem de estar assente numa base sólida de sustentabilidade que tem de ser transversal a pessoas, processos e organizações. É neste ecossistema que Isabel Ucha, presidente da Euronext, acredita que o mundo financeiro e o mercado de capitais têm uma palavra a dizer e muito para contribuir, de forma a se atingirem os objetivos de desenvolvimento sustentável ambicionado pela União Europeia, pelas Nações Unidas e também previsto no Acordo de Paris assinado em 2015.

 

Ceticismo profissional é determinante

Para garantir esta sustentabilidade, a segurança e a confiança são fatores-chave. Se na sua intervenção Nicolau Santos, presidente da Lusa, disse que a confiança é a base de todas as relações, Alan Johnson, vice-presidente da International Federation of Accountants (IFAC), reforçou esse facto e admite que os auditores serão atores com um papel determinante para construir essa confiança na sociedade, no setor público e no setor privado, nas grandes e pequenas organizações, sendo encarados como conselheiros confiáveis e com padrões de ética profissional elevados e respeitados.

Com a tecnologia a conquistar espaço nas sociedades, como hipotético garante da sustentabilidade e fiabilidade, Francisco Miranda Rodrigues, bastonário da Ordem dos Psicólogos Portugueses, deixou claro na sua intervenção que apesar de a tecnologia poder dar uma ajuda na componente racional, dificilmente poderá substituir a componente emocional, garantindo que o fator humano continuará a ser determinante no futuro, principalmente o valioso ceticismo profissional.

Ao encerrar o congresso, o ministro Adjunto e da Economia, Pedro Siza Vieira, sublinhou o valioso contributo que os ROC e os auditores dão para as economias modernas e a forma como estes questionam todas as mudanças que acontecem à sua volta, continuando a ser uma "profissão sólida e orgulhosa das suas tradições", mas que saberá adaptar-se aos novos tempos e às novas formas de trabalhar sustentadas em novos quadros normativos ou tecnologias.


Um evento com saldo positivo

O XIII Congresso dos ROC reuniu mais de 600 profissionais e o saldo não podia ser mais do que positivo. Óscar Figueiredo, coordenador da Comissão Organizadora do XIII Congresso, deixou isso bem claro ao afirmar que os revisores oficiais de contas "estão atentos à evolução da economia e refletem uma preocupação por uma permanente atualização na abordagem dos riscos dos negócios e na forma como esses riscos estão cobertos e são comunicados apropriadamente aos ‘stakeholders’". Neste congresso foi possível confirmar que as novas tecnologias de informação estão a ter grande impacto na atividade dos profissionais, o que obriga a uma atualização constante e requer um grande investimento, quer ao nível do ajustamento dos seus processos de trabalho, que terão de evoluir também para plataformas tecnológicas apropriadas para os ajudar a obter prova mais eficiente e eficaz, quer ao nível do reforço das competências dos recursos humanos, que devem abranger novos conhecimentos e perícias ajustadas às novas exigências do trabalho.




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